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Onde eu leio Poesia
© Domingos Oliveira Medeiros

 
Onde eu leio poesia?
A proposta foi lançada
Pela amiga Adriana
Pelas ruas, na calçada
A leitura que se lia
Era muita poesia
De uma forma disfarçada

Quem não tivesse bons olhos
Dentro do seu coração
Com certeza, ficaria
Sem dar sua opinião
Sobre a leitura do belo
Do detalhe tão singelo
Como um pedaço de pão

Que o mendigo segurava
Apertado em sua mão
Como que mostrando ao mundo
Que também era Cristão
Com direito ao alimento
Ao sol e ao firmamento
Como qualquer outro irmão

Com a sua liberdade
De ocupar o seu espaço
Sonhar o sonho impossível
Desatar aquele laço
Reaver os seus amigos
Procurar novos abrigos
Descansar o seu cansaço

Andar por outros caminhos
Buscar a felicidade
Como qualquer semelhante
Um cidadão de verdade
Cobrar pelo sofrimento
Por aquele mal momento
Resgatar a dignidade

Ali estava o mendigo
Lixo da sociedade
Da falta de compromisso
De alguma autoridade
Com a nossa conivência
Fruto da incompetência
Falta de caridade

Com o olhar esperançoso
Aquele mendigo sorria
Um sorriso bem sincero
Lágrima de alegria
No seu rosto emagrecido
Maltrapilho, mal vestido
A fé em Deus escorria

Lembrei-me então de Jesus
E de toda a verdade
Há dois mil anos passados
Pregou a fraternidade
Lutou pela salvação
Entregou seu coração
Testemunho à caridade

Deixou seus ensinamentos
A paz e o amor ensinou
Com humildade e firmeza
Multidão arrebanhou
Mesmo assim, foi perseguido
Muito mal compreendido
Morto na Cruz, culminou

Aquele mendigo, por certo
De Jesus Cristo, herdou
A humildade e o sofrimento
Que o Mestre tanto pregou
A Cruz que limpa e protege
A Cruz que ensina e elege
Foi tudo que ele lembrou

Durante aquele momento
Que pelo mundo eu andava
À procura de respostas
Achei o que eu precisava
A poesia é divina
A vida, assim, nos ensina
Ler o que se imaginava

Basta sair passeando
Por esse mundo perfeito
Olhar os rios e mares
Sem procurar o defeito
Sentir o cheiro das flores
Perfumes de muitos odores
Enchem de amor nosso peito

A leitura é imensa
A poesia aparece
No sorriso da criança
No amor que não se esquece
No perdão já consentido
Por quem fomos ofendido
A poesia arrefece

Naquele olhar escondido
No beijo inusitado
Nas mãos que se entrelaçam
Do casal enamorado
Nos filhos que vão nascendo
O amor envelhecendo
Como vinho bem guardado

Crença na paz e no homem
Nas mudanças esperadas
Nos anseios perseguidos
Pelas coisas mais amadas
O bem acima do mal
A esperança, afinal
De vidas abençoadas

Onde eu leio a poesia?
Em todo e qualquer lugar
Mesmo fora da escola
Basta, portanto, olhar
Com os olhos do coração
Um pouquinho de emoção
E a poesia sonhar
  
Domingos Oliveira Medeiros
© Todos Direitos Reservados
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