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Um
pouco da Amazônia para meus amigos
Moro
No Norte há quase 34 anos e conheço a Amazônia , desde o Pará até as
fronteiras do extremo norte, com Guyana, Colômbia, Venezuela e também
Bolívia.
Rios
Llanos, sabanas, Florestas, lavrados. Eu estive lá. Não aprendi em livros,
minha escola foi à vida.
Um
abraço.
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I
As
florestas tropicais , eu as conheço ,
nelas
sinto-me pleno de alegrias ,
passo
nelas em vacâncias vários dias
gozando
duma paz que não tem preço .
Seus
perigos porém os reconheço
e
assim , por conhece-los os evito,
os
localizo fácil , e se os fito
deles
me afasto e sigo outro caminho ,
e
a selva me trata com carinho
pois
também faço parte do infinito .
11
Porém
aos que seus códigos desconhecem ,
e
por tal ignorância não os respeita ,
a
selva é como a morte que espreita
uma
vítima indefesa que aparece ;
e
seu vergel tão lindo , e que parece
obra
prima de mestres inspirados ,
em
breve o cercará dos quatro lados
e
seus meandros em dédalos afigura ,
após
passar a noite horrenda e escura ,
nem
vestígios haverão dos passos dados .
III
Ao
tentar penetrar-lhe nos liames ,
o
ser humano esbarra na grandeza
que
emana da própria natureza ,
e
tem que se amoldar aos seus ditames .
É
que oculto em meio aos seus enxames
de
insetos que pululam , e são milhões ,
ela
mantém ocultos os guardiões ,
que
não dispondo de meios motores ,
os
utilizam ali como vetores ;
Protozoários
plasmodiuns , em legiões .
IV
Em
seus baixios onde fervilham vidas ,
que
são as larvas de insetos e alevinos ,
centopéias
, lagartos e girinos ,
de
formas mil e multicoloridas ,
contém
em suas águas escondidas
enormes
sucuris que ali espreitam ,
suas
prováveis presas e as estreitam
em
seus anéis mortais e constritores ,
e
os jacarés , temíveis predadores
que
sonolentos em suas margens deitam .
v
E
os pequeninos sapos azulados ,
cujo
veneno mortal é fulminante ,
liquida
ali a vida , num instante
aos
homens que por ele são tocados .
E
ao anoitecer , vilões alados ,
saem
de ocos e cavernas onde dormitam,
são
os morcegos hematófagos que habitam
por
vastas regiões e são vorazes ,
e
que ao sugar o sangue são capazes
de
matar com as doenças que transmitam .
VI
As
cobras peçonhentas , as “armadeiras” ,
as
“traçangas” , lacraias e escorpiões
Que
protegem com dentes e ferrões
tal
como a viúva negra e as tocaneras
As
cabatatus , e as cabas-caçadeiras ,
que
com seus cúspides atacam decididas ,
a
perder em tal ação a própria vida
de
forma valorosa e sem receio ,
pois
agem em proteção ao próprio meio ,
ao
qual se integram e vivem protegidas .
VII
Se
em covis e macegas ao dia somem ,
saem
nas noites escuras em caçadas ,
enormes
“jaguar - açus” , onças pintadas ,
que
a qualquer animal abatem e comem ,
e
ante as quais é simples caça o homem ,
e
por sinal por elas apreciada
talvez
por ter a carne assemelhada ,
aos
primatas que são bem mais capazes ,
escapando-lhes
aos instintos tão vorazes
por
escalarem lépidos as ramadas .
VIII
Todos
os seres por mim mencionados ,
e
que cruéis da minha pena emergem ,
são
fiéis guardiões , e só protegem
os
tesouros ali depositados .
Tesouros
estes já delapidados ,
pela
ambição dos inescrupulosos ,
que
de forma terrível , impiedosos ,
em
busca de fortunas tão fugazes,
destroem
algo que não são capazes
de
construir , embora que engenhosos .
IX
São
as espécies de frutas apetitosas ,
de
sabores exóticos , que permeiam ,
as
densas matam onde serpenteiam ,
igarapés
de águas sulfurosas .
São
seivas , cascas e flores olorosas ,
que
colhidas e bem manipuladas ,
poderão
em cosméticos serem usadas
e
sementes , folhas , frutos e raízes ,
de
diversos formatos e matizes
com
os quais doenças podem ser curadas .
X
Em
baixo do seu solo arenoso ,
encoberto
pelo húmus que a sustenta ,
e
que com a própria morte alimenta ,
esconde-se
um subsolo portentoso
onde
dorme um tesouro tão faustoso ,
sendo
causa primaz desta ruína
que
se abate sobre ela , e à chacina ,
de
forma quase que irreversível ,
modificando
de modo já sensível ,
o
habitat do ser que a maquina .
XI
A
solução é simples e se revela ,
na
própria reação que a ação provoca ,
porque
a natureza reciproca ,
o
bem ou mal que provocamos a ela ,
pois
as forças telúricas que estão nela
fazem
parte do UM , e estão ligadas
entre
si , e sempre são usadas ,
de
forma UNA ,mas complementares ,
que
a um simples buraco que cavares ,
em
outros planos há FORÇAS implicadas .
XII
Se
pouparmos as florestas , e as cuidarmos ,
qual
cuidaríamos de nossas crianças ,
talvez
ainda as deixemos por heranças ,
aquelas
que nos restam , se as salvarmos
e
num esforço conjunto replantarmos ,
aquelas
que destruímos , arrependidos ,
e
aos animais que mantemos detidos ,
de
bom grado ali os libertarmos ,
talvez
seja possível alcançarmos
o
STATUS a que fomos CONCEBIDOS
Mestre Egídio
Francisco Egídio Aires Campos
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