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De Belém do Pará, escrevo agora,
Sendo o dia quatorze de setembro,
Um pouco desolado, pois não lembro,
O dia de nosso encontro, mês nem hora,
Porém desejo confessar agora,
Publicamente, que ao topar contigo
Eu encontrei um verdadeiro amigo
Que me orgulha, encanta e enobrece,
Talvez fosse resultado de uma prece
Que desde Jovem trazia comigo.
Amigo Daniel, aqui eu te digo,
Não por metáfora, ou simples ilusão
Que para mim tu és como um irmão,
Um exemplo da meta que persigo.
Homem simples, honesto, bom amigo,
Um Poeta intuitivo bem dotado,
E te sou grato por que tens me dado
Uma amizade despida de interesses
Fúteis, e repartido tuas messes,
Sempre que delas hei necessitado.
Deixou-me a Tua carta, emocionado,
Quisera ser metade do que apregoas,
Mas tens o dom de todas almas boas
De sempre enxergar bom predicado.
Teu apanágio só me deixa honrado
Pois as qualidades que a mim credita,
São frutos da amizade, pois me fita
Como a um irmão mais velho e experiente,
E eu também te vejo exatamente
Um jovem irmão, que em meu peito habita.
Que Deus te dê a ventura tão bonita,
Da paz do amor e da prosperidade,
Saúde, inspiração, longevidade,
E seja o teu lar, a morada bendita
Da Santa Harmonia, divina e infinita
Que mantém os universos equilibrados
E que dele mantenham-se afastados
A mentira, a inveja, o despotismo
E que a negra obscuridade do abismo,
E o mal, jamais lá sejam encontrados.
Abraços do teu mano Véio;
Mestre Egídio
Francisco Egídio Aires Campos
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