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O Jaguar-açu (onça pintada)

 

 

1

Vinha a manhã, o sol além surgia,

Longe mugia o gado em desespero,

Segue em tal direção, João , o vaqueiro,

E seu macérrimo cão, lépido o seguia

 

2

No matinal crepúsculo, mal se via,

A estreita trilha envolta em arvoredos,

Continha João a custo os imos medos

Que do pivô do pânico já sentia.

 

3

Há muito tempo João o conhecia..

Eles tinham a sina entrelaçada

Desde o dia da infausta caçada

Que deparando-o, João o malferia.

 

4

Era um enorme macho, e a luzidia

Fulva e malhada pele revelava

Nos relevos dos músculos que ocultava

Toda força letal que possuía.

 

5

As feras fauces que ao rugir abria,

Mostravam enormes presas pontiagudas

E nas patas, aduncas garras agudas,

Retrateis, sob os pêlos escondia,

 

6

Foi a partir daquele infausto dia,

Que começou para João o pesadelo,

E sobejava razões para temê-lo

Conforme à muito já sabia.

 

7

sempre, após o incidente João o via

Muito magro, arqueado e vacilante,

pois se tornara um hábil rapinante

das criações que a custo possuía.

 

8

Sistematicamente as destruía,

Pois animais e aves que encontrava,

Perversamente a muitos aniquilava,

Levando sempre um, e a este comia

 

9

pela vida do cão muito temia

pois era aquele o único que sobrara

seus outros quatros cães ele os matara,

o feroz animal que o perseguia.

 

10

fremiam-lhes as carnes, e em seu peito,

seu coração batia em descompasso,

mesmo temente ele estugava o passo,

ansiando acertar o seu malfeito.

 

11

crispava as mãos e suor escorria

sobre a velha espingarda que levara,

a mesma arma que a muito usara,

na caçada infeliz daquele dia.

 

12

passa-lhe a frente seu cão e dispara,

em desespero João grita ,..e o segue

esquecendo o temor que o persegue

e em pouco tempo com fera se depara.

 

13

o tenebroso grito que escutara

da morte do seu cão era o aviso,

mas prosseguido, como sem juízo

sobre seu cão já morto , a encontrara,

 

14

foi-se o temor que o prendia a vida,

mirando a fera ainda um pouco avança,

e a besta fera num passo de dança

rosna e avança , embora combalida.

 

15

puxa o gatilho João, e o estampido

da velha arma no arrebol ecoa

e entre fogo e fumaça o chumbo voa,

e no pescoço o monstro é atingido.

 

16

mesmo em ponto vital sendo atingido

reúne as forças, e salta velozmente,

sobre João e o fere mortalmente,

o abatendo ali sem um gemido.

 

19

quando levanta –se o sol e ilumina,

os vastos campos, a mata, o rio, o gado

que se move agitado, e ali ao lado..

três seres que cumpriram a triste sina.

 


Mestre Egídio

Francisco Egídio Aires Campos
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