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Em
nada me diminui ser comparado a um Jumento, animal cheio de belas e boas
qualidade e, sempre, vilipendiado pelos que se julgam donos da verdade.
Padre
Vieira dizia
Que
o Jumento é nosso irmão
Eu
concordo plenamente
Pois
não falou sem razão
Só
que um irmão explorado,
Sofrido
e desrespeitado
Mesmo
empuxando o sertão.
Ele
não tem ambição,
Não
inveja nem cobiça,
É
feliz com o que possui
E
jamais foge da liça,
Atrás
dos maus nunca segue,
Não
acha a paz que persegue
E
é vitima da injustiça.
A
maldade não atiça,
E
o destino não rejeita,
Faz
sem buscar recompensa,
O
bem, e jamais enjeita,
Amizade,
se lhe dão
E
a quem lhe estende a mão
Calorosamente
aceita.
Por
isto não é desfeita
Ser
no jegue retratado,
Dá-me
até um certo orgulho,
Como
ele ser comparado,
Pois
tenho muita energia
E
trabalho noite e dia
Apesar
de aposentado.
Como
ele, determinado
Não
desisto facilmente,
Levo
uma carga pesada,
Sou
pobre e vivo doente
Mas
tenho a cabeça dura
Coisa
alguma me segura,
Se
morrer, caio pra frente.
Por
isto vivo contente
Apesar
da barrocheira,
Se
morrer, não vou pro céu,
Não
farei esta besteira,
Também
não vou pro inferno
Prefiro
o labor eterno
Vagando
com Zé Limeira.
Mestre Egídio
Francisco Egídio Aires Campos
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