» Capa » 1ª página

  ABRALI Edições

  Rádio Poesia

  ABRALI HOST

  Revista ABRALI

Formulário fale conosco

Indique esta página

>> Cadastre-se!

Nossa Organização

» Quem somos / Nossa Missão
» Institucional / Parcerias
» Participar deste Projeto
» Editora - ABRALI Edições
» Rádio Poesia
» ABRALI HOST - Hospedagem
» Eventos - EPAC
» Comunidade ABRALI Orkut

Canais de Vídeo & Áudio

» Rádio Poesia Vídeos/Áudios
» Revista ABRALI
» Membros Acadêmicos
» Matéria da Semana

Canais Literários

» Membros Acadêmicos
» Rádio Poesia
» Grandes Escritores
» Contos
» Crônicas
» "Chapéu di Paia"
» Literatura de Cordel
» Coletâneas Abralianas
» Literatura & História

Canais de Arte

» Artes, Artistas & Cia.
» Músicas

Canais de Língua Portuguesa

» Dicas de Português
» Teoria Literária
» Ensaios
» Resenhas
» Grandes Escritores

Canais de Informação

» Revista ABRALI
» Vídeos de Eventos ABRALI
» Notícias em Tempo Real
» Direitos Autorais e Leis
» Fatos e Personagens
» Vídeos Datas Comemorativas
» Galeria de Fotos
» Artigos
» Literatura & História

Canais Especiais

» Espaço Jovem
» ABRACADABRA - Infantil
» Folclore
» Espaço Indígena
» Meio Ambiente
» Filosofia em Fatias
» Coletâneas Abralianas

Canais de Comunicação

» Fale conosco
» Inscrever-se no Projeto
» Mural de Mensagens
» Informar falhas e/ou erros
» Sala de Chat

Google

Web

www.abrali.com

                 Literatura de Cordel

Mais deste Autor Voltar à página índice de Cordel

É de cortar o coração


Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar (*) 
 
José de Sousa Dantas, em 18/03/2003 
 
No dia que eu fui sair 
de casa pra out
ro canto, 
saí derramando pranto, 
na hora quis desistir; 
mas tinha que prosseguir, 
sem chance de me livrar, 
comecei logo
a chorar 
na cruel situação. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Um colega da cidade 
saiu cedo pra fazenda, 
quando chegou na vivenda, 
falou com sinceridade; 
não era fatalidade, 
disse assim: vim lhe buscar! 
prepare-se pra viajar 
arrume seu “matolão”. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Tive que arrumar a mala, 
sem saber o que levasse, 
fiquei logo num impasse, 
da cozinha para a sala; 
bem depressa como bala, 
mas o coração no ar, 
todo instante a palpitar 
dizendo: não saia não! 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Foi num dia bem cedinho, 
que eu recebia a notícia, 
sem ser nada de malícia 
pra sair do meu cantinho; 
eu chorava bem baixinho, 
sem querer me afastar, 
fui na marra viajar, 
sentido o peso do chão. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Foi no mês de fevereiro, 
do ano 72, 
não podia ser depois, 
tinha que seguir
o roteiro, 
houve tanto desespero, 
vinha gente me ajudar, 
procurando consolar, 
uns faziam saudação. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Na hora da despedida, 
era choro e agonia, 
não me esqueço desse dia, 
que deixei mamãe querida; 
papai naquela guarida, 
quase sem acreditar, 
tristonho a se lastimar, 
com a mana e meu irmão. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Cada hora era um tormento 
a distância ia aumentando, 
eu por dentro soluçando, 
sem esquecer um só momento 
era grande o sofrimento, 
comecei a variar, 
co’um banzo a massacrar, 
perdido sem direção. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Na estrada imaginava, 
Ou meu Deus! Ou que sofrer! 
como é que eu vou fazer! 
nem sequer me conformava, 
todo pranto derramava, 
já sentindo um mal-estar, 
solitário sem falar 
tamanha decepção. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Eu fui pego de surpresa 
pra morar com minha tia, 
procurando melhoria, 
na capital Fortaleza; 
no começo foi tristeza, 
mas tinha que ir estudar 
pra fazer vestibular 
e obter aprovação. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
No começo foi penoso, 
enfrentei dificuldade, 
por falta de habilidade, 
eu ficava desgostoso, 
tímido e receoso, 
não tinha com quem falar, 
só depois fui desarnar, 
aprendi muita lição. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Não estava acostumado 
com vida na capital, 
no começo passei mal 
e fiquei desanimado; 
fui até prejudicado, 
sem querer continuar, 
com vontade de voltar, 
pra sair da solidão. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
A distância me impedia 
de ficar acompanhando, 
o que estava se passando 
lá na minha moradia; 
me dava melancolia, 
sem poder me contentar, 
vez em quando ia sondar 
notícia do meu sertão. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Era um canto diferente, 
só tinha desconhecido, 
eu ficava constrangido, 
sozinho no ambiente; 
com muito tempo somente, 
foi que veio melhorar, 
comecei a me entrosar 
com gente da região. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Tentava me divertir, 
pra sair da solidão, 
só na festa de São João, 
comecei a evoluir; 
às tertúlias pude ir, 
num meio familiar, 
procurava conquistar 
as garotas do salão. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Somente em fim de semana 
eu tinha oportunidade, 
procurava na cidade, 
uma festa mediana; 
me entrosava com cigana, 
chamava para dançar, 
ia até o sol raiar, 
no “Clube Patinação”. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Estudava pra valer, 
revendo toda matéria, 
a rotina era mais séria, 
não faltava o que fazer; 
hora certa pra comer, 
pra dormir, ler, estudar, 
ouvir, falar, revisar, 
vendo com “Napoleão”. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Foi na minha mocidade 
que esse fato aconteceu, 
quando fui para o LICEU, 
estudar pra faculdade; 
é uma realidade, 
que ninguém pode apagar, 
por isso eu vou registrar, 
pra nossa recordação. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Inda guardo na memória 
essa viagem tirana, 
quando saí da cabana, 
seguir noutra trajetória, 
e o caso virou história 
comprida para contar, 
pra ninguém me ignorar, 
vou dizer: não passe não! 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Essa história é mais comprida, 
mas dá pra compreender, 
ela pode acontecer 
em qualquer fase da vida; 
comigo foi na medida, 
só eu posso decifrar, 
quem quiser me procurar, 
faço toda a descrição. 
Foi com dor no coração 
que eu deixei o meu lugar. 
 
Fiz tudo pra não chorar, 
no fim terminei chorando, 
quando estava viajando, 
sem saber onde parar; 
é emocionante contar 
e não é uma ficção, 
é um filme de emoção, 
que é preciso revelar. 
Pois saí do meu lugar 
co’uma dor no coração. 
 
(*) Mote telúrico, bucólico e apaixonante, 
do poeta Rubênio Marcelo. 

 
José de Souza Dantas
© Todos Direitos Reservados
   

Mais deste Autor Voltar à página índice de Cordel
        

 

 

 

         

   

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site