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Qual ave de arribação
O poeta vai e volta
Sai devagar, sem escolta
Sem destino ou direção;
Vai procurar combustão
Quando a verve esvaece
Quando a rima já esquece
Como armar a desinência
O POEMA TEM CIÊNCIA
E O POETA TEM A MESSE.
Tem o verso a estação
Quando chega em temporada
Vem com força de
enxurrada
Com o barulho do trovão;
Com o fervor da
ebulição
Antes que a fervura cesse
Faz a rima sua quermesse
Dentro da conveniência
O POEMA TEM CIÊNCIA
E O POETA TEM A MESSE.
Na temporada não falta
Qualquer espécie de tema
Nem dilema e nem trilema
Deixa o poeta sem pauta;
Seu astral está em alta
E o seu estro também
cresce
O que é bom logo aparece
Com beleza e congruência
O POEMA TEM CIÊNCIA
E O POETA TEM A MESSE.
Que se tire bom proveito
Dessas fases de deleite
Declarando o nosso aceite
Para o bem que vem de
eito;
E no trabalho ou no leito
Um bom poema se tece
Quando a rima resplandece
Desde a nossa
inconsciência
O POEMA TEM CIÊNCIA
E O POETA TEM A MESSE.
Pois me ponho a meditar
No poder da natureza
Aos seres dando firmeza
No momento de migrar;
Quem esteve a transitar
Por onde a vida estremece
Viu que o mundo enternece
Com perfeita confluência
O POEMA TEM CIÊNCIA
E O POETA TEM A MESSE.
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