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Ave de Arribação
©Almir Alves Filho

 
Qual ave de arribação

O poeta vai e volta

Sai devagar, sem escolta

Sem destino ou direção;

Vai procurar combustão

Quando a verve esvaece

Quando a rima já esquece

Como armar a desinência

O POEMA TEM CIÊNCIA

E O POETA TEM A MESSE.

 

Tem o verso a estação

Quando chega em temporada

Vem com força de enxurrada

Com o barulho do trovão;

Com o fervor da ebulição

Antes que a fervura cesse

Faz a rima sua quermesse

Dentro da conveniência

O POEMA TEM CIÊNCIA

E O POETA TEM A MESSE.

 

Na temporada não falta

Qualquer espécie de tema

Nem dilema e nem trilema

Deixa o poeta sem pauta;

Seu astral está em alta

E o seu estro também cresce

O que é bom logo aparece

Com beleza e congruência

O POEMA TEM CIÊNCIA

E O POETA TEM A MESSE.

 

Que se tire bom proveito

Dessas fases de deleite

Declarando o nosso aceite

Para o bem que vem de eito;

E no trabalho ou no leito

Um bom poema se tece

Quando a rima resplandece

Desde a nossa inconsciência

O POEMA TEM CIÊNCIA

E O POETA TEM A MESSE.

 

Pois me ponho a meditar

No poder da natureza

Aos seres dando firmeza

No momento de migrar;

Quem esteve a transitar

Por onde a vida estremece

Viu que o mundo enternece

Com perfeita confluência

O POEMA TEM CIÊNCIA

E O POETA TEM A MESSE.

  
Almir Alves da Silva Filho

© Todos Direitos Reservados
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