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Dentro
do novo milênio
Se
enfeita agora o Arraiá
Trabaiadô
muda o cenho
Quando
o assunto é quadriá;
Se
tem festa no Engenho
Passando
por perto, tenho
Uma
vontade de espiá.
Os
anos passam correndo
Como
se fosse um rojão
O
povo sempre vivendo
A
sua melhor tradição;
No
mês de Junho, só vendo
Pelo
Sertão – que tremendo!
Como
é bonito o São João!
Fogueiras
pra todo lado
E
as diversas brincadeiras
Cardápios
bem variados
Compensando
a bebedeira;
Sem
faltar o milho assado
Que
traz um cheiro atrelado
Ao
ar livre, como u’a feira.
Quantos
fogos de artifício
Quantas
prosas no salão
Essa
festa é quase um vício
E
nunca perde a emoção;
Quando
ocorre um estrupício
A
desculpa é um exercício
Dum
grande amor e paixão.
Mas
o melhor é a quadrilha
Com
a festa de casamento
No
sangue a pinga fervilha
Depois
vem o juramento;
O
noivo vendo a armadilha
Corre
mais de uma milha
No
trote do seu jumento.
Mas
é um mal-entendido
Pra
quem não foi informado
Que
o ‘cazamento finjido’
Não
deixa o cabra amarrado;
Mulher
não tira o vestido
Não
tem cama, nem cupido
Nem
o noivo fica armado.
E
os acordes da sanfona
Dão
o tom da animação
Mulher
nova e quarentona
Jogam
o laço no Salão;
Na
condição de amazonas
Persistentes,
falastronas
Vão
montar um garanhão.
Durante toda a festança
Vai chuvê muinta muié
Daquelas qui se intrança
Do cabelo inté o pé;
Logo adispôs duma dança
O peão a potra amansa
Na midida in qu’ela
qué.
Vai corrê solto o São
João
Lá no fundo a canturia
Vai tê forró cum baião
No salão, João e Maria;
Bem presente a tradição
Simbolizando o Sertão
Depois de tanta ironia.
Quem tivé mió quadria
[Não do crime
organizado]
Não fica de mão vazia
Pôis vai sê
recompensado;
Cum direito a ufania
Promovido a uma chefia
Do São João no meu
roçado.
Fica aqui o meu recado
Só pra num passá batido
Quando se fala em roçado
Vem mexê cum meus uvido;
No sertão eu fui criado
E meu imbigo interrado
Me dêxa mais invorvido.
Que
o povo folgue à vontade
Que
se preserve o São João
Momentos
de amenidade
Que
dão força ao coração
Pelo
que eu vi, de verdade
Quando
apertar a saudade
Volto
a brincar no Sertão.
Almir Alves da Silva Filho
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