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       Literatura de Cordel

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Cordel no Exílio
©Almir Alves Filho


Amigo de grã cultura

Trouxe um fato à lembrança:

O cordel que se procura

Está morando na França;

Onde vive em clausura

Dentro da literatura

Que o Brasil não alcança.

 

O cordel nasceu aqui

Entre charcos e cerrados

Do Oiapoque ao Chuí

Em papel amarelado;

Nas feiras se fez ouvir

Um canto triste a pedir

Que o cordel fosse lembrado.

 

Mas somente lá na França

Deu-se guarida ao cordel

Graças à perseverança

De um Raymond Cantel

Que aqui, em suas andanças

Perpetuou na lembrança

Um Brasil jogado ao léu.

 

No sertão foi renitente

A voz do povo em cordel

Rimando sob o sol quente

O tropeiro e Menestrel;

Na verve sempre presente

Um versejar consciente

Sem produzir escarcéu.

 

Nem papel amarelado

Nem tocador de viola

Em coma sempre tombado

O Brasil não tem melhora

E o povo embriagado

Vai deixando o seu passado

Andando de padiola.
 
 

  
Almir Alves da Silva Filho

© Todos Direitos Reservados
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