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Foi com dor no coração
Que eu deixei o meu lugar
Sem poder me retratar
Sobre essa doce ilusão;
Foi assim que do Sertão
Segui caminhos incertos
Nem longe nem muito perto
Mas fui forçado a partir,
Meu Deus, por que fui ouvir
Um sonho quase desperto.
Meu Deus, por que fui ouvir
Um sonho quase desperto
Por que o caminho encoberto
Veio em sonho me induzir;
Meu Deus, por que permitir
Que um caboclo a palmilhar
Em outras plagas, sem lar
Pra trás deixasse um rincão,
Foi com dor no coração
Que eu deixei o meu lugar.
Só mesmo um bom ideal
Justifica um rompimento
U’a decisão de momento
Que chegou como um fanal;
Quase um dilema abissal
Para u’a família exemplar
Histórias que nem sei contar
Para as quais devo demão
Foi com dor no coração
Que eu deixei o meu lugar.
Toda a magia de crianças
Que se enrosca com a verdade
Não sei se foi por vontade
Que me soltei em andanças;
E o destino na balança
Mostrou-me o tempo a passar
Sem que pudesse esperar
Por tardia decisão
Foi com dor no coração
Que eu deixei o meu lugar.
Deixei amigos, parentes
Deixei parte de minh’alma
Fui-me afastando com calma
Com um sorriso aparente;
Não disfarça a dor que se sente
Quem de casa quer distar
Quem quer no mundo testar
Como andar em depressão
Foi com dor no coração
Que eu deixei o meu lugar.
Sei que o Rubenio passou
Por a triste experiência
O Dantas me deu ciência
Geraldo Amâncio cantou;
E o meu Cordel aprovou
Esta canção de ninar
Que vai alguém embalar
Superando a inquietação
Foi com dor no coração
Que eu deixei o meu lugar.
Almir Alves da Silva Filho
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