|
A
verdade é que o Cordel
Nasceu
em pleno Sertão
Talhado
por rudes mãos
Entre
a secura e o céu.
Quando
a poeira e o tropel
Brindavam
os raios d’aurora
Os
tropeiros, com esporas
Tilintavam
dando o tom
Dalgum
cordel, cujo som
Chorava
nordeste afora.
Chorava
sempre a ausência
Da
água para o jumento
Da
escassez do sustento
Coberta
por Emergências.
No
Poder - as Excelências
[Aqueles
sábios doutores]
No
papel de benfeitores
Desdenhavam
do Sertão,
E
o Cordel, em confusão
Inda
lhes dava louvores.
O
Cordel não tinha regras
Senão
das rimas sonoras
Linhas
singelas, canoras
Que
o Brasil chamava brega.
Mas
a cultura refrega
Não
dispensando um cruzeiro
Composto
por estrangeiros
Da
mais alta competência
Pra
comprovar sua essência
E
ausência de garimpeiros.
Hoje
o Cordel é notícia,
É
de interesse notório
Deixando
o seu território
Perde
a poeira e a malícia.
Mas
não passa por perícia
E
nem se entrega ao requinte
Já
depois do Século Vinte
Lembra
o poeta brejeiro
Que
fez verso sem tinteiro,
Sem
teclado e sem acinte.
Não
se cala a voz do povo
No
agreste sem Internet
Quem
pode, usa disquete
No
Sertão, nada de novo.
Voltando
à casca do ovo
Vou
relembrando a origem
Da
arte que deu vertigem
Com
deslumbrante alegria
Quando
o verso fez magia
Em
seus trajes aborígines.
|