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Com
sua licença, patrão
Sou
a voz do sofrimento
Ao
lado do seu carrão
Amarrei
o meu jumento;
Para
falar com a Excelência
Sobre
a vida de um peão
Homem
simples, aldeão
Jogado
na inclemência.
Trabalho
de sol a sol
Mesmo
debaixo de chuva
Mãos
que parecem cerol
Nunca
entraram numa luva;
Tudo
que tenho na vida
É
um jumento e um cavalo
Um
porco, um bode e um galo
E
a santa Margarida.
Sou
escravo do trabalho
Sem
qualquer divertimento
Nem
mesmo some o orvalho
Já
estou de mato adentro
A
rotina é minha lida
Vou
superando fraquezas
Pensando
nas gentilezas
E
no amor da Margarida.
Meu
patrão, você não sabe
O
que é o sofrimento
Pois
a sua vaidade
Não
permite um julgamento;
Se
tivesse um coração
Batendo
dentro do peito
Entenderia
o conceito
Do
bravo Homem Peão.
Almir Alves da Silva Filho
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