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Saudando a Cantoria
©Almir Alves Filho


Meu amigo José Dantas

Forte abraço no Bandeira

Verdadeira pederneira

Seu repente o mal espanta;

Com viola e com garganta

Faz a vida prazerosa

Um prazer que se entrosa

Deixando rastros no vento

Se a viola é sentimento

Tudo fica um mar de rosas.

 

É o sabor da cantoria

No tempero do Daudeth

Nem que chova canivete

Tá mantida a alforria;

Nem João e nem Maria

Tem patroa furiosa

O Raimundo a vida goza

Não se fala em sofrimento

Se a viola é sentimento

Tudo fica um mar de rosas.

 

Vou vivendo e aprendendo

E aprender não é pecado

Quero paz pra todo lado

Quero o bem acontecendo;

Cantador que não tô vendo

Mostra essa rima viçosa

Com tua verve buliçosa

Deixa aí no testamento

Se a viola é sentimento

Tudo fica um mar de rosas.

 

Eu também sou cantador

Nem que seja no teclado

O meu estro é amuado

E o repente não brotou;

Mas cantar não traz temor

Canto a menina mimosa

E me encanto com a charmosa

Sem anel, sem juramento

Se a viola é sentimento

Tudo fica um mar de rosas.

 

Quem essa arte fomenta

Tem o meu maior respeito

Atingindo o mor conceito

Pois a verve não se inventa;

Para um Brasil que é penta

Com sua torcida briosa

Não há platéia teimosa

Que resista a esse rebento

Se a viola é sentimento

Tudo fica um mar de rosas.

 

Parabéns aos repentistas

Que vicejam com a arte

Cantoria é estandarte

Que não serve a egoísta;

Vou pegando alguma pista

De quem tem saber em grosas

Com vertentes talentosas

Que dão ao verso sustento

Se a viola é sentimento

Tudo fica um mar de rosas.
 

  
Almir Alves da Silva Filho

© Todos Direitos Reservados
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