Sabe
bem o cantador
Que
a beleza do Nordeste
De
encanto se reveste
Num
canto cheio de amor;
Com
desdém ao dissabor
Qualquer
caboclo refeito
Não
se curva ao preconceito
E
o prazer não se estiola
Quando
soluça a viola
Traz
um apertão no peito.
É
sofrido o meu Sertão
Mas
não falta alegria
E
o suor de cada dia
Vem
a ter compensação;
Se
bem fecunda o feijão
E
o rio corre no leito
O
Sertão não tem defeito
E
o luar inda consola
Quando
soluça a viola
Traz
um apertão no peito.
Quando
vem a estiagem
O
sentido está na chuva
[Meu
Deus cadê a saúva]
Por
que mudou de paragem;
E
sempre em sua abordagem
Diz
o caboclo em respeito
Vindo
do céu é bem feito
É
como o trem na bitola
Quando
soluça a viola
Traz
um apertão no peito.
Mas
sempre há recompensa
Que
supera os desenganos
E
depois de muitos anos
O
Sertão tem outra crença;
Em
seca já não se pensa
Pois
Deus tem dado um jeito
E
um chafariz do Prefeito
Derrama
água que atola
Quando
soluça a viola
Traz
um apertão no peito.
Esse
é um torrão cobiçado
Por
quem quer gozar a vida
Nem
escassez de comida
Deixa
o Sertão abalado;
Vai-se
o rebanho aboiado
Quando
o pasto é rarefeito
E
o peão com seu trejeito
Bate
firme com a sola
Quando
soluça a viola
Traz
um apertão no peito.
Com
Moacir Laurentino
Meu
coração ficou manso
Quando
com Geraldo Amâncio
Fez-me
voltar a menino;
Dois
cantadores de tino
Que
me chegam por e-mail
Pois
José Dantas me veio
Dispondo
o verso em mola
Pra
saltar sobre a viola
Estraçalhando
o meu peito.
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