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Soluço da Viola
©Almir Alves Filho


Sabe bem o cantador

Que a beleza do Nordeste

De encanto se reveste

Num canto cheio de amor;

Com desdém ao dissabor

Qualquer caboclo refeito

Não se curva ao preconceito

E o prazer não se estiola

Quando soluça a viola

Traz um apertão no peito.

 

É sofrido o meu Sertão

Mas não falta alegria

E o suor de cada dia

Vem a ter compensação;

Se bem fecunda o feijão

E o rio corre no leito

O Sertão não tem defeito

E o luar inda consola

Quando soluça a viola

Traz um apertão no peito.

 

Quando vem a estiagem

O sentido está na chuva

[Meu Deus cadê a saúva]

Por que mudou de paragem;

E sempre em sua abordagem

Diz o caboclo em respeito

Vindo do céu é bem feito

É como o trem na bitola

Quando soluça a viola

Traz um apertão no peito.

 

Mas sempre há recompensa

Que supera os desenganos

E depois de muitos anos

O Sertão tem outra crença;

Em seca já não se pensa

Pois Deus tem dado um jeito

E um chafariz do Prefeito

Derrama água que atola

Quando soluça a viola

Traz um apertão no peito.

 

Esse é um torrão cobiçado

Por quem quer gozar a vida

Nem escassez de comida

Deixa o Sertão abalado;

Vai-se o rebanho aboiado

Quando o pasto é rarefeito

E o peão com seu trejeito

Bate firme com a sola

Quando soluça a viola

Traz um apertão no peito.

 

Com Moacir Laurentino

Meu coração ficou manso

Quando com Geraldo Amâncio

Fez-me voltar a menino;

Dois cantadores de tino

Que me chegam por e-mail

Pois José Dantas me veio

Dispondo o verso em mola

Pra saltar sobre a viola

Estraçalhando o meu peito.


  
Almir Alves da Silva Filho

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