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Sou trovador do sertão
Sem estudo e sem métrica
Fim da ordem alfabética
Letra “Z” - Zé do
Cordão.
Meu livro foi mata e
chão
Ouvindo o som da viola
Meu estro nunca me enrola
Não sofre tempo adverso
PARA MEDIR O MEU VERSO
DIAPASÃO NÃO ME AMOLA.
Meu verso canta tristeza
E também muita alegria
Vem com força de
alforria
Pra sentimento em
represa.
Verso que esbanja proeza
Verve que não se estiola
Quando algum tema embola
Logo depois fica expresso
PARA MEDIR O MEU VERSO
DIAPASÃO NÃO ME AMOLA.
Aprendi com a passarada
Um gorjeio de improviso
Outra coisa eu não
diviso
Além da vida rimada;
Sou peão da madrugada
Que com pouco se consola
Não que seja um gabarola
Mas na rima estou imerso
PARA MEDIR O MEU VERSO
DIAPASÃO NÃO ME AMOLA.
Foi no calor do agreste
Em cenários de miragem
Que a rima se fez bagagem
De qualquer Cabra da
Peste;
Ali não há quem
conteste
Um Cantador com viola
Que não passou por
Escola
Mas nunca ficou disperso
PARA MEDIR O MEU VERSO
DIAPASÃO NÃO ME AMOLA.
No sertão a rima é tudo
Transmitindo o que se
sente
Qualquer tema faz Repente
Que faz doutor ficar
mudo;
É o trovador sem estudo
Pondo o verso na bitola
Marcando gol sem a bola
Sem cobrar qualquer
ingresso
PARA MEDIR O MEU VERSO
DIAPASÃO NÃO ME AMOLA.
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