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Eu vi uma borboleta,
Voando de flor em flor,
Era linda, toda preta,
Cor da noite do poeta,
Que sonha com seu amor.
Avistei uma abelha
Numa tarde de calor,
Beijando uma flor vermelha,
Que irradiava uma centelha
Da luz do sol. Que fulgor!
Lá na floresta distante,
Um passarinho cantou,
Com sua voz tão vibrante,
Que da amada e do amante
O fogo se apagou.
Eu ouvi um cão latir,
Implicando com o gato,
Que correu sem lhe pedir
Licença para partir
Ao encalço de um rato.
Contemplei uma montanha
Fustigada ao relento,
Mas sua imponência tamanha
Amainava toda a sanha
E o forte furor do vento.
Meu jequitibá amado,
Sei que não cresceste em vão,
Em teu tronco tens marcado
O corte vil do machado,
Que feriu meu coração.
Rio profundo e
caudaloso,
Azuis são tuas águas,
Nelas mergulho fogoso
E, nadando, terei o gozo
Ao desafogar as mágoas.
Estrada cheia de curvas,
Não vou passar-te ao lado,
Mesmo que pra longe fujas
E de poeira me sujas,
És meu caminho traçado.
Sobre os ombros sei que tenho
De carregar minha cruz,
Apresentar-me então venho
Para, arqueado sob o lenho,
Seguir o Mestre Jesus.
Ao lado dos excluídos,
Vou me alistar para a guerra
E unir meu canto aos gemidos
Dos que estão proibidos
De pisar na própria terra.
O coro deles engrosso,
De esperar não fico exausto,
Com eles vencer eu posso,
Se nos negam o que é nosso,
Resta um novo holocausto.
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