» Capa » 1ª página

  ABRALI Edições

  Rádio Poesia

  ABRALI HOST

  Revista ABRALI

Formulário fale conosco

Indique esta página

>> Cadastre-se!

Nossa Organização

» Quem somos / Nossa Missão
» Institucional / Parcerias
» Participar deste Projeto
» Editora - ABRALI Edições
» Rádio Poesia
» ABRALI HOST - Hospedagem
» Eventos - EPAC
» Comunidade ABRALI Orkut

Canais de Vídeo & Áudio

» Rádio Poesia Vídeos/Áudios
» Revista ABRALI
» Membros Acadêmicos
» Matéria da Semana

Canais Literários

» Membros Acadêmicos
» Rádio Poesia
» Grandes Escritores
» Contos
» Crônicas
» "Chapéu di Paia"
» Literatura de Cordel
» Coletâneas Abralianas
» Literatura & História

Canais de Arte

» Artes, Artistas & Cia.
» Músicas

Canais de Língua Portuguesa

» Dicas de Português
» Teoria Literária
» Ensaios
» Resenhas
» Grandes Escritores

Canais de Informação

» Revista ABRALI
» Vídeos de Eventos ABRALI
» Notícias em Tempo Real
» Direitos Autorais e Leis
» Fatos e Personagens
» Vídeos Datas Comemorativas
» Galeria de Fotos
» Artigos
» Literatura & História

Canais Especiais

» Espaço Jovem
» ABRACADABRA - Infantil
» Folclore
» Espaço Indígena
» Meio Ambiente
» Filosofia em Fatias
» Coletâneas Abralianas

Canais de Comunicação

» Fale conosco
» Inscrever-se no Projeto
» Mural de Mensagens
» Informar falhas e/ou erros
» Sala de Chat

Google

Web

www.abrali.com

                 Literatura de Cordel

Mais deste Autor Voltar à página índice de Cordel

Os Ancestrais

I

Visitei o paraíso,

Chamado Jardim de Alá,

Que apenas é um segmento

Do nosso lado de cá,

Mas só para contrariar,

Em versos eu vou narrar

O que vislumbrei por lá.

 

II

Mundo exótico em cores,

Camelos vagando ao léu,

Crianças, jovens e velhos,

Belas mulheres com véu

E, de olhares penetrantes,

Homens sérios de turbantes,

Servindo-lhes de chapéu.

 

III

O contraste era evidente

Numa terra como esta,

Entre comércios e danças

E o sinal da fé na testa,

Chamou-me atenção, por certo,

Que no lugar do deserto

Houvesse uma floresta.

 

IV

Diante da verde paisagem,

Eu não pude me conter,

A voz e os feitos humanos

Deixei de ouvir e de ver;

Entrei na mata cerrada,

Fui saber da bicharada

Se algo tinha a me dizer.

 

V

À sombra de uma árvore,

Sobre seus rabos sentados,

Dois macacos conversavam

Seriamente preocupados;

Um para o outro dizia

Que ouvira certo dia

Uns boatos divulgados.

 

VI

Para as questões filosóficas

Que o homem formulou:

Quem sou, de onde eu vim

E para onde eu vou,

Pesquisando os elementos,

Com muitos experimentos,

A resposta encontrou.

 

VII

A ciência já ensina,

Como fato comprovado,

Que o homem era um símio

Em seu longínquo passado,

Aos poucos evoluiu

E por fim se constituiu

Num bugio aprimorado.

 

VIII

Dizem até que os humanos

Se orgulham demais disto,

Descender de nossa raça

É muito bom pelo visto;

Quer o homem já sem fé

Ser primo de chimpanzé

Em vez de irmão de Cristo.

 

IX

Pensam descender de nós,

Mas se acham superiores

Porque inventaram foguetes,

Robôs e computadores;

São mesmo esquizofrênicos,

Já abusam dos transgênicos,

Remodelando até as flores.

 

X

Descobriram os segredos

De plantas e borboletas,

Pisaram até na lua,

Investigaram cometas,

E pretendem muito mais,

Nos espaços siderais

Conquistar outros planetas.

 

XI

Mas apesar disso tudo

Decaem e vão ao fundo,

Não conseguiram ainda,

Com este estudo profundo,

Desintegrando a matéria,

Debelar fome e miséria

Que assolam nosso mundo.

 

XII

A baixa moral dos homens

Rebaixada continua,

Nenhum macaco, porém,

Abandona esposa sua,

Honramos nossas famílias,

Não temos irmãs e filhas

Prostituindo-se na rua.

 

XIII

Num agito deslumbrante,

O feminismo se alastra,

A mulher não quer ser mãe

E recusa a ser madrasta;

Disse uma com humor,

Que se necessário for,

O seu marido ela castra.

 

XIV

Vamos reagir unidos,

Sob a proteção de Ogum,

Pois não é bom que entre nós

Haja parentesco algum;

Será mesmo uma desgraça

Se com essa sub-raça

Tivermos algo em comum.

 

XV

Ouvindo esse bate-papo,

Eu pressenti um perigo,

Porquanto o ser racional

Do irracional é inimigo;

Voltei logo à realidade

Deslumbrante da cidade

Muito intrigado comigo.

 

XVI

Ao contemplar o progresso,

Com pesar no coração,

Duas lágrimas caíram

Dos meus olhos para o chão;

Revendo meus pontos fracos,

Da conversa dos macacos

Tirei minha conclusão.

 

XVII

Ficou muito complicado

Para dançar este tango,

Os homens são uns gorilas,

Mas nem por isso eu me zango,

Se sou, você também é,

Um de nós é chimpanzé

E o outro é orangotango.

 

XVIII

Mulheres, porém, são anjos,

Guardiãs de nossa aldeia,

Somente elas são gentes,

Na água, terra ou areia;

Mulher! Eu não sou tatu,

Mas se sou macaco nu,

Você é uma sereia.

 

XIX

Vivemos na confusão,

Sem saber o que nem qual,

Ser gente ou bicho, o que importa?

Não é isso nenhum mal,

Animais somos também,

Se eles não são ninguém,

Quem somos nós, afinal?

 

XX

Se vivêssemos em paz,

Tudo seria beleza,

Mundo mais belo do mundo,

Teríamos com certeza,

Mas oxalá não prossiga

Por mais tempo essa briga

Entre nós e a Natureza.

 

XXI

Retornando ao início,

Para findar este caso,

Deixo em paz os animais

Com seus milênios de atraso,

Grato a Deus por sua clemência

E a vocês pela paciência

Ao lerem este parnaso.

 

XXII

Muito empolgado eu estava

Com a glória do Islão,

Que fiquei em devaneio,

Tendo nas mãos o Alcorão;

Pensei em me converter,

Tão somente para ser

Um felizardo sultão.

 

XXIII

Pelas barbas do profeta...

Ouvi uma voz, com surpresa:

--A você dou as mulheres

Com toda esta riqueza,

E aos demais o fogo eterno,

Onde o mármore do inferno

Os aguarda com certeza.

 

XXIV

Bem! Sei que falei demais

E o caso encerro por ora,

Não tem fim porém jamais

Esta questão de outrora;

Digo, bradando meus ais:

Importa que eu seja agora,

Testemunha que adora

O bom Deus de nossos pais.

 

Benedito Generoso da Costa

© Todos Direitos Reservados
   

Mais deste Autor Voltar à página índice de Cordel
        

 

 

 

         

   

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

contador, formmail cgi, recursos de e-mail gratis para web site