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Briga de Compadres
© Benedito Generoso da Costa

  
BRIGA DE COMPADRES

Meu compadre Zemigué
Que era muito amigo meu
E um dia me socorreu
Servindo-me um bom café
Tempos atrás veio até
Em frente meu casarão
Bateu palmas no portão
Perguntando oi de casa
Não tenho fogo nem brasa
Respondi na ocasião.

Eu dei nele um abração
Falei o que sempre digo
Você é aquele amigo
Que guardo no coração
Apertei dele a mão
Convidando-o pra entrar
Um trago vamos tomar
E ficar junto à lareira
Pois temos a noite inteira
Para a gente prosear.

Vamos o tempo passar
Aqui juntos numa boa
Eu também estou à toa
Então vamos conversar
Sobre a terra e o mar
Falar de outros assuntos
Até mesmo dos defuntos
Que foram nossos parentes
Hoje não estão presentes
Mas estarão sempre juntos.

Com pão de queijo e presuntos
E uma garrafa de pinga
As nossas mães ninguém xinga
Na soma de dois conjuntos
A junta tem que ter untos
Que se não nada se vinga
Nós temos a nossa ginga
Somos dois grandes amigos
Para nossos inimigos
Não deixaremos restinga.

No jogo eu sou coringa
Pois jogar eu nada sei
Confundo dama com rei
Perco-me na caatinga
Mas caço a jacutinga
E ela tem que ser minha
Servida em minha cozinha
Num prato muito bem quente
Como fazia freqüente
A minha boa mãezinha.

Ele respondeu que tinha
Muito para me dizer
Antes de a gente beber
Só teria uma prosinha
Sua voz era mansinha
Mas aos poucos se alterou
De repente ele berrou
E bateu na cara minha
Dizendo que ele só vinha
Cobrar quem não lhe pagou.

Se não sabe quem eu sou
Comigo vai se ferrar
Você deve e vai pagar
O que de mim emprestou
Minha mãe ele xingou
Eu só fiquei escutando
Ele se esbravejando
Mas com calma eu lhe falei
Um dia lhe pagarei
Só não posso dizer quando.

Ele estava espumando
De tanta raiva contida
Eu lhe disse que a vida
Já estava melhorando
Dinheiro vinha juntando
Na certa eu lhe pagaria
O montante que eu devia
Fazia até contrabando
Só não estava roubando
Porque isso eu não queria.

Aqui volte outro dia
Se eu tivesse dinheiro
Garanto que o primeiro
Você era quem recebia
Para sair dessa fria
Usando da inteligência
Disse-lhe com reverência
Sei que estou em atraso
Mas ao pedir novo prazo
Ele não teve clemência.

Então perdi a paciência
Gritei que não sou otário
Você é estelionatário
Ele falou com veemência
Que eu não tinha consciência
Eu me fiz de ouvido mouco
Gritei dando-lhe um soco
Devo tanto que nem sei
Só sei que já lhe paguei
E agora exijo meu troco.

  
Benedito Generoso da Costa

© Todos Direitos Reservados

Email: benedito.costa@previdencia.gov.br

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