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Cordel dos sem-terra

              
Trabalhadores, uni-vos!
Contra a tal da opressão
Violência não resolve
Muito menos repressão
Vamos dividir a terra
Cada um com seu quinhão.
O massacre sanguinário
Ocorreu em pleno abril
Trabalhadores sem-terra
Sob a mira do fuzil
Bárbaro assassinato
Ensangüentando o Brasil.

O povo vítima da fome
Da violência estatal
Empresários fazendeiros
Terrorismo canibal
Transformando o Eldorado
Trabalhador condenado
A mando do capital.

A hecatombe telúrica
O horror policial
Torturando as criancinhas
Dizimando o social
O Brasil está de luto
Contra a chacina imoral.

A causa da violência
Seja urbana ou rural
Provem da concentração
Da terra e do capital
Do latifúndio improdutivo
Surge a desgraça geral.

Reforma agrária, solução
Precisamos trabalhar.
Vamos dividir a terra
E a terra cultivar
Terra é pra produzir
Para o povo alimentar...

O 17 de abril...
Na história vai ficar
Sangraram a consciência
Pelotões a fuzilar
Os sem-terra vão à luta
Para a terra conquistar.

Acorda, Brasil! Desperta
Terra, vida, educação
Neoliberalismo é fria
É bomba contra a nação.
Queremos reforma agrária
Mais arroz e mais feijão...

          

  
Gustavo Dourado

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