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Lá na roça, acorda cedo,
Antes mesmo do sol raiar
Ainda no breu da noite,
Sai o matuto pra trabalhar.
Mal toma um café lavado,
O galo ainda nem cantou.
Lá se vai pelo orvalho da noite,
Com os pés que nem calçou.
Pega firme no guatambu,
Lavra o chão feito arado.
Debaixo de sol escaldante,
Tira tarefa de suor banhado.
Não tem dia, não tem hora,
Não tem tempo, nem tem lugar.
Lá na roça, acorda cedo.
Ai daquele que não acordar.
Com "borná" de marmita fria,
Sem contar sequer com mistura.
O matuto não tem escolha,
Senão o trabalho, nem a fartura.
Ao chegar ao fim do dia,
Cansado feito só,
Na roça não tem frescura,
É feijão, farinha, açúcar e pó.
A sorte lá na roça,
É a moda de viola parceira .
Cedo quando se acorda,
E de noite é também companheira.
É assim a vida na roça,
Entra ano, outro sai.
Queira Deus um dia melhore,
Cremos na força do Pai.
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