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  Celso Brasil

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Perdido na Cidade Grande
Uma homenagem aos 450 anos de São Paulo
© Celso Brasil - voz do autor


Já, faiz tempo mais eu lembro. Foi minha grande aventura.

Duma vida bem tranqüila resorvi, numa locura, nela dá uma sacudida.

Fui, então, pr’a cidade grande, achando que, dispois, tinha história pra contá.

Foi aí meu grande engano e a história é de amargá.

São Paulo, terra de loco? Loco eu que fui pra lá!

Numa tarde, inté tranqüila, escoí pra eu chegá. Sabia, não, que feriado era feito pra enganá.

Umas rua bem largona, tinha gente devagá indo di um lado pr’oto mais sem pressa de chegá. Logo fui eu concruindo – Nessa terra eu vô ficá.

Dia siguinte lá vai o tonto uma rua atravessá. Veio um carro ligero e raspando! Pensei... sem trasero eu vô ficá.

Foi me dando disispero, tremia tudo que eu tinha... perna, braço e inté a barriga... fora otras coisa apertadinha. Apertô meu coração, suava minhas mão, aperto no peito todo. Mais qui sofreguidão!

Dispois, já, pensando direito, um trabaio fui procurá. Mais num tinha terra arguma,  nem lugá pra se prantá. Nem vaca pra tirá leite, nem bezerro pra laçá.

O jeito foi í servindo cafezinho, lá, num bar.

Dinhero na mão num parava, estômago querendo recramá, a sardade foi batendo mais, macho, num pudia nessa hora me entregá. Disse, ali, pra mim memo que, se veio, é pra ficá.

Mais tem umas coisa que se eu conto, pur favô... Num vai espaiá!

Um dia, pra atravessa a rua, a corage num dexava. Tinha gente lá, oiando mais eu sempre disfarçava. Foi quando uma coisa interessante aconteceu. Uma muié muito formosa veio e se ofereceu. Como tava muito difíci praqueles metro eu anda, e sabia que o dinheiro é que mandava por lá, já fui logo preguntando - quanto é que vai cobrá?

Ela, então, me disse: Carma... vem aqui pra conversá! Istranhei o jeito dela... fui sabe cum quem que eu tava, era um tar de Vardemá.

Dispois daquela hora sintí mais um nó na guela. Num se sabe se é homi ou se é uma donzela!!!

Terra loca essa cidade. Sem falá na difircudade que eu tinha pra respirá. Fumaça pra tudo que é lado, mulecada que te tromba, Muié que qué te ajudá, com jeito meio engraçado... vai vê... num é uma muié... é um homi desviado! E o danado inda te zomba. Carro corre mais que a roda, bicicreta? é atropelada. Dessas coisa de cidade grande, eu num quero é sabê nada!

Foi num dia que eu resorví - Dessa locura eu vô saí!

No dia siguinte bem cedo, quando o sor resorveu acendê, oiei pros lado e me disse, daqui eu vô me escafedê!

Catei minhas troxa e, andando, nem sabia pra que lado, porque aquela cidade me dexava atrapaiado!

Mais, bem ligero, na cabeça, um pensamento veio me tomá... Se tem gente nessa terra é porque deve di gostá. Intão devo respeitá.

Dispois desses ano pensando, já, televisão assistindu, vejo gente até que chora pra ficá ali residindu.

Intão o pobrema é cumigo!!! Eu torço pr’essa terra e sei que o pogresso ali mora. Ele é bom, disso eu sei. Dali vem coisa que é boa, dali vem muita instrução...

Mais dexa eu ficá por aqui. Num faiz comigo isso não!!! Num me obriga eu a saí.

Eu juro por todos os santo que respeito essa gente. Se qué sabê da verdade, rezo pra todos de lá, muito mais que reza um crente. Mais, aqui que eu quero ficá e, um dia, quem sabe quando...? sorrindo morrê contente.

Celso Brasil
© Todos Direitos Reservados
FBN - ISBN
   

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