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Já,
faiz tempo mais eu lembro. Foi minha grande aventura.
Duma
vida bem tranqüila resorvi, numa locura, nela dá uma sacudida.
Fui,
então, pr’a cidade grande, achando que, dispois, tinha história pra contá.
Foi
aí meu grande engano e a história é de amargá.
São
Paulo, terra de loco? Loco eu que fui pra lá!
Numa
tarde, inté tranqüila, escoí pra eu chegá. Sabia, não, que feriado era
feito pra enganá.
Umas
rua bem largona, tinha gente devagá indo di um lado pr’oto mais sem pressa de
chegá. Logo fui eu concruindo – Nessa terra eu vô ficá.
Dia
siguinte lá vai o tonto uma rua atravessá. Veio um carro ligero e raspando!
Pensei... sem trasero eu vô ficá.
Foi
me dando disispero, tremia tudo que eu tinha... perna, braço e inté a
barriga... fora otras coisa apertadinha. Apertô meu coração, suava minhas
mão, aperto no peito todo. Mais qui sofreguidão!
Dispois,
já, pensando direito, um trabaio fui procurá. Mais num tinha terra arguma,
nem lugá pra se prantá. Nem vaca pra tirá leite, nem bezerro pra
laçá.
O
jeito foi í servindo cafezinho, lá, num bar.
Dinhero
na mão num parava, estômago querendo recramá, a sardade foi batendo mais,
macho, num pudia nessa hora me entregá. Disse, ali, pra mim memo que, se veio,
é pra ficá.
Mais
tem umas coisa que se eu conto, pur favô... Num vai espaiá!
Um
dia, pra atravessa a rua, a corage num dexava. Tinha gente lá, oiando mais eu
sempre disfarçava. Foi quando uma coisa interessante aconteceu. Uma muié muito
formosa veio e se ofereceu. Como tava muito difíci praqueles metro eu anda, e
sabia que o dinheiro é que mandava por lá, já fui logo preguntando - quanto
é que vai cobrá?
Ela,
então, me disse: Carma... vem aqui pra conversá! Istranhei o jeito dela... fui
sabe cum quem que eu tava, era um tar de Vardemá.
Dispois
daquela hora sintí mais um nó na guela. Num se sabe se é homi ou se é uma
donzela!!!
Terra
loca essa cidade. Sem falá na difircudade que eu tinha pra respirá. Fumaça
pra tudo que é lado, mulecada que te tromba, Muié que qué te ajudá, com
jeito meio engraçado... vai vê... num é uma muié... é um homi desviado! E o
danado inda te zomba. Carro corre mais que a roda, bicicreta? é atropelada.
Dessas coisa de cidade grande, eu num quero é sabê nada!
Foi
num dia que eu resorví - Dessa locura eu vô saí!
No
dia siguinte bem cedo, quando o sor resorveu acendê, oiei pros lado e me disse,
daqui eu vô me escafedê!
Catei
minhas troxa e, andando, nem sabia pra que lado, porque aquela cidade me dexava
atrapaiado!
Mais,
bem ligero, na cabeça, um pensamento veio me tomá... Se tem gente nessa terra
é porque deve di gostá. Intão devo respeitá.
Dispois
desses ano pensando, já, televisão assistindu, vejo gente até que chora pra
ficá ali residindu.
Intão
o pobrema é cumigo!!! Eu torço pr’essa terra e sei que o pogresso ali mora.
Ele é bom, disso eu sei. Dali vem coisa que é boa, dali vem muita
instrução...
Mais
dexa eu ficá por aqui. Num faiz comigo isso não!!! Num me obriga eu a saí.
Eu
juro por todos os santo que respeito essa gente. Se qué sabê da verdade, rezo
pra todos de lá, muito mais que reza um crente. Mais, aqui que eu quero ficá
e, um dia, quem sabe quando...? sorrindo morrê contente.
Celso
Brasil
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