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Aqui pr’essas bandas, num tem malícia. Tem roça, muito trabaio de dia e...
de noite, prosa e priguiça.
Tem história que são tanta. História boa e mardita que, quando conto, tem
gente que num cridita.
Mais
agora, só uma eu vô contá. Já vô avisando antes! Essa é de arrepiá.
Pode
te sido armentada... eu num sei di nada... Do jeito que veio, vô passá.
Era
os vizinho da finada Quitéria. Ceis vão pensá que é piada, mais diz que a
coisa foi séria!
Já
passô há uns par de ano. Aconteceu é num rancho e quem conta é o cumpadi
Constâncio. Garante que o causo é verdade. Daqueles que arrepia inté os pêlo
donde o vento num bati.
Na
casa donde aconteceu, vivia um casal que brigava inté mais que Maria mais eu.
Ela
num se dava as prenda e o pobre é que só trabaiava sozinho naquela fazenda.
Ela era infernal e só gritava com ele, que num era um cabra mal.
A
Muié era triste. Impricava demais com o coitado. Era coisa que num existe e,
ele, cabô dexando ela de lado.
Um
dia, quando foi fazê compra, cabô achando uma moça de perna grossa e redonda,
que morava na cidade.
E
o que que aconteceu?
O pobre do Simprício caiu na infidelidade.
Então
o casamento morreu!
A
muié era tão ruim que, num sei como foi direito, quando a moça, ela
descobriu, deu uma surra no Simprício e se infiou uma faca no peito, lá na
beira do rio.
Dizem
que dispois desse dia, além de perdê a outra, porque a conversa corria, virô
uma pertubação. O coitado ficô sem nenhuma muié, pra vê como as coisa
é! E num miricia isso não!
É
nessas hora que a gente conta e as pessoa duvida. Mais, como já disse, é as
coisa que acontece na vida. E sei que oceis vai duvidá. Memo assim eu vô
contá.
Quem confirma é a cumadi Maricota, que só fala coisa verdadera e inda é a fia
mais séria da dona Carlota rezadera.
Dizem
que quando o Simpricio ia tomá banho de bacia, era só tirá as ropa e as coisa
acontecia.
O
coitado saia num trupé, com o coração na mão, todo atrapaiado e nem se
importava se alguém tava oiando, não! Queria é se livrá daquele cramunhão
que era a sua muié que virô assombração.
Passado
uns mêis nessa vida de susto e solidão, aquela tristeza mardita levô ele pro
caixão.
E as coisa num pára aí! Se sigura mode num caí.
Falam que inté hoje, pr’aqueles lado, quando é lua cheia, o bicho pega
pesado... Tem que te sangue nas veia!
Quando
bria os astro e a lua alumia, diz que é só oiá pro pasto.
Diz
que se ouve e vê direito... Que os zóio fica estatalado...
É a muié cum a faca no peito e Simpricio correndo pelado.
Celso
Brasil
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