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O papel do educador na construção do novo


O ser humano é um ser de possibilidades. Não nasce pronto. 
Não é determinado pela natureza, pelo destino ou por deuses. Deve construir o seu ser, tornar-se pessoa.

Não determinado, vai tornando-se pessoa e se construindo através das ações. Por isso é um ser moral. Precisa decidir que ações realizam o seu ser, que dão sentido ao seu existir, tornando-se responsável pela construção da sua vida, pelo tornar-se pessoa. Isto exige uma ética com princípios e valores válidos por e para todos.

A moral é o caminho para se chegar à ética (horizonte). Por isso, o ser humano precisa ter o seu projeto de vida, para não se perder entre as trilhas e picadas, que o impedem de ver o horizonte. Ele precisa, através dos valores morais, construir o seu caminhar.

Nessa construção, a escola tem um papel importante. O educador precisa fazer ver diferente, ter o olhar na orientação de vida. “O Educador é um pastor de projetos, um fundador de mundos e fundamentalmente, um mediador de esperanças” (Fala de Celito Méier). Assim, é o papel da escola e do educador  proporcionar aos educandos possibilidades de construir conhecimento.

O conhecimento não é recebido em sala de aula e sim construído pelo aluno, que precisa de tempo para processar as informações recebidas e reorganiza´-las para obter o conhecimento  que ele passa a vivenciar para chegar à sabedoria.

O conhecimento é como a teia de aranha: tem que haver continuidade. Se um fio for interrompido, desfaz-se todo o trabalho feito até então.

O sistema disciplinar vigente, em que cada professor trabalha isoladamente ”seu”  conteúdo, fragmenta o ensino, pois passa apenas informações e não conhecimento.

A escola tem que caminhar com enfoque globalizador. Educar para a vida, tecer, como a aranha, vida nova, dentro dos valores e dos fundamentos éticos que devem nortear as pessoas: o EU, o OUTRO e DEUS.

Portanto, a escola, em seu projeto político-pedagógico, para ter visibilidade de direitos, de inclusão e cidadania, terá que se convencer de que o centro é o SER HUMANO e suas múltiplas necessidades. Necessidades que vão desde as biológicas, sociais, culturais, estéticas, espirituais, enfim, a amplitude do que é a complexidade humana. Uma escola que tem essa visão como horizonte, não pode oferecer uma educação fragmentada e nem uma educação unidimensional, isto é, que se preocupe apenas em desenvolver capacidades para o mercado de trabalho. Ela precisa desenvolver o conjunto das capacidades para que o aluno possa vir a ser um bom cidadão, um bom pai, um bom profissional e também que ele saiba se posicionar diante da sua identidade como cristão.

A responsabilidade da escola é preparar o aluno para uma visão ordenada do Universo. A idade escolar é o tempo das descobertas do próprio EU e da construção do próprio projeto de vida. Verdadeiros educadores são aqueles que, comprometidos com sua ação diária, através de um fazer pedagógico sério, ajudam seus alunos a construírem o seu projeto de vida, indo além dos conteúdos curriculares, baseando-se nos princípios morais e nos valores.

A família é a primeira escola da vida, com exemplos de responsabilidade, união e respeito. A união família/escola é o melhor suporte para que o aluno possa encontrar-se no seu processo educativo. A escola precisa trazer a família até ela. É nesse encontro: escola/aluno/família, que se pode construir uma relação de troca, de complementaridade que possibilita a todos o educar e ser educado.

Voltando à teia, para acabar com a fragmentação do ensino, precisamos tecer juntos, todos os educadores, construindo conhecimentos interdisciplinares e significativos.

A interdisciplinaridade é a postura que nos permite ver as coisas que sempre foram vistas, porém com outros olhos. Significa a construção do novo. Ora, se nós, Educadores Spínola, nos propomos a “tecer vida nova”, “formar o coração”, temos que nos ater à interdisciplinaridade.

Para isto, precisamos utilizar a política do “re”.  Re-ver a ordem de valores que aí estão, questionando os princípios éticos que nos levaram a essa  educação vigente; re-inventar a Escola, para que ela garanta os meios necessários para a busca da totalidade do conhecimento, livrando-nos do ensino oferecido até  agora, com disciplinas separadas, unilaterais e estanques.

Ser interdisciplinar é apenas o primeiro passo. O futuro do Homo Sapiens aponta para a transdisciplinaridade, quando então seremos capazes de transcender os limites da separatividade do saber, e poderemos nos colocar a caminho de outras formas de ver e pensar o mundo.

É este o desafio lançado por Celito Méier, no III Encontro de Educadores Spínola: a transdisciplinaridade para a construção do nosso aluno como um todo e não apenas como um fragmento da sociedade.

É, sem dúvida, um desafio e tanto, visto que, estamos acostumados a ter medo do novo, e sabendo-se que as mudanças causam inquietude e pavor nós educadores apegados ao velho, à mesmice.

O desafio está aí. Deixemos de ser adversativos e sejamos aditivos. Limpemos nossas gavetas, sejamos verdadeiros cristãos, seres ecológicos, com o olhar voltado para a construção, orientação e preservação de vidas, e digamos, a nós mesmos, que é possível mudar, que pode ser diferente, que podemos tecer o nosso projeto de vida nova em nossas escolas.

Conceição de Lemos Silva

( Prof. de Língua Portuguesa do Colégio Jales Machado -Goianésia – Goiás).

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Ø      Esta síntese e´ resultado da apreciação que fiz do III Encontro de Educadores Spínola, realizado nos dias 09 e 10 de novembro de 2002, no Colégio Jales Machado de Goianésia - Goiás. Encontro que teve como mediador o mestre Celito Méier, com o tema MORAL SOCIAL, enfocando a Educação como caminho para a construção do Ser Humano. 
   

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