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Estamos vivendo a pós-modernidade, considerada pelos estudiosos como a fase das
pessoas desesperançadas, cheias de frustrações e desencantos pela vida. O
profundo pessimismo que habita nas pessoas leva-as a matar dentro de si toda e
qualquer perspectiva de futuro, e elas passam a viver a “curtição do momento”,
deixando de lado a memória (tradição e história) e passando a cultivar tudo
que é “ligth”, descartável, até mesmo no campo de suas relações
pessoais, sociais e culturais.
O
homem de hoje é um ser fragmentado, que vive movido pelo materialismo, que
busca o prazer pelo prazer, que cultiva o consumismo e o permissivismo como
forma de manifestação de sua falta de perspectivas de vida.
A
Educação também passa por esse momento de fragmentação. Falta vida na
escola. Faltam “Educadores” compromissados com a vida de seus alunos... Não
existem projetos de vida, mas de conteúdos a serem ministrados. Se a escola for
vida, ela ajudará o aluno a viver, a formar o seu projeto de vida. E o que a
escola faz para isso? O “viver”, na escola, torna-se secundário. O que
importa são as disciplinas e conteúdos, aulas e métodos, trabalhos, provas e
notas. Disciplinas e conteúdos sem vida para quem vem buscar a vida!
Sabe-se
que a escola tenta ajudar... Mas só tentar é suficiente?
O
professor, na maioria das vezes, só conhece conteúdos e só ensina conteúdos.
Essa é uma dimensão desastrosa, que pode ser considerada como a grande
calamidade da Educação, um verdadeiro atentado contra a ética e a moral
pública.
Segundo
Celito Meier, “existem excelentes instrutores em sala de aula, mas péssimos
educadores”. Isso é verdade. O professor que apenas se dispõe a ensinar
conteúdos, sem uma visão ampla da pessoa humana, manifesta uma visão restrita
da sua missão de formar a vida.
Se
“a Educação é o espaço e o tempo que nós temos para antecipar o futuro”
(fala de Celito Meier), que futuro teremos, analisando o processo educacional
que se desencadeia nas escolas brasileiras?
Mas
não podemos ficar estáticos. Necessitamos de mudanças. É isso que o projeto
dos Educadores Spínola propõe: mudanças.
Toda
e qualquer mudança é difícil. Mudar idéias, mentalidades, atitudes, é
tremendamente mais difícil, mas não impossível. Nossos alunos querem vida,
querem educadores sábios, gurus, profetas, artistas, místicos. Com educadores
que aceitam esse compromisso de gerar vida na escola, inovadores de
consciências, teremos alunos críticos e que saberão viver.
Toda
mudança é resultado do estudo e da reflexão. Mudar a mentalidade do professor
pode ser uma tarefa lenta e difícil. Mas não impossível. A própria escola
pode desencadear esse processo, libertando-se do “medo” burocrático de “perder
tempo”, de imposições que tudo impedem, e criar seu tempo e espaço para
estudos e reflexões. E todos seremos contemplados, alunos, professores e a
sociedade.
Nossa
comunidade educativa, Educadores Spínola, já caminha nessa direção,
proporcionando chances de mudança na mentalidade de seus professores. A nossa
chance está aí. Agarremo-la e participemos do processo que nos levará a ser
os verdadeiros gurus da Educação.
Sejamos
educadores místicos, conhecedores da condição humana, pastores de projetos de
vida. Priorizemos a formação do espírito humano de nossos discípulos.
Eduquemos através de exemplos e atitudes. Sejamos virgens, sem nos deixarmos
corromper pelo sistema. Conheçamos as sensibilidades que habitam em nossos
alunos e trabalhemos com elas.
E,
assim, aceitando o grande desafio de sermos Educadores e não apenas
professores, conseguiremos vencer a barreira do pessimismo que caracteriza a
pós-modernidade e passaremos a ver nossos alunos como vida e não apenas como
ferramenta de trabalho.
Conceição de Lemos Silva
(Professora
de Língua Portuguesa do Colégio Jales Machado)
Goianésia -GO
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