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Que a leitura se constitui na principal ferramenta da educação é fato
incontestável. A palavra escrita ainda é o grande veículo que permite o
desvendamento do mundo.
Entretanto, é comum
ouvirmos que vivenciamos uma época em que predominam as imagens e a linguagem
televisiva. Esse também é um fato inegável, mas que não pode ser utilizado
como desculpa para a negligência com o livro.
Temos que considerar que o
texto escrito concede ao leitor a possibilidade de reflexão, de
interiorização das idéias nele expostas. Sobretudo, é necessário que
compreendamos que a leitura é um ato de prazer.
Alberto Manguel -
ensaísta canadense - especialista no tema, em seu livro “Uma História da
Leitura” explica-nos que não temos a capacidade para transformar uma criança
num leitor; a nossa grande tarefa é disponibilizar a literatura, colocando-a ao
alcance delas, ao mesmo tempo em que relacionamos esse processo de aprendizado
com o prazer e não com a obrigação. Lendo as premissas defendidas por Manguel,
lembrei-me de uma história contada por minha avó paterna.
Segundo ela, antigamente,
nas comunidades judaicas existentes nas províncias espanholas, quando uma
criança era iniciada no processo de alfabetização e leitura, logo no primeiro
dia de aula praticava-se um ritual familiar: bolos e pães de mel eram
oferecidos especialmente à criança, simbolizando dessa forma o princípio de
uma fase agradável em sua vida. Nunca apurei se realmente isso ocorria, mas,
ainda que seja uma lenda, que bela mensagem contém!
É interessante notar que
países como os Estados Unidos, os quais já possuem uma longa tradição na
formação de leitores, ainda assim se preocupam em descobrir novas estratégias
e viabilizar projetos para incentivar a leitura.
Em Chicago, cidade
americana com aproximadamente três milhões de habitantes, em 2002, a
prefeitura lançou o programa “Um livro, uma só Chicago”, desafiando os
habitantes a mergulharem na aventura de uma leitura coletiva de um mesmo romance
e dividir suas reações com os concidadãos.
O projeto pretendia que os
habitantes abandonassem a televisão e os jogos eletrônicos para se
concentrarem em "To Kill a Mockingbird", de Harper Lee, um romance
sobre o racismo e os preconceitos num povoado de Alabama, no sul dos Estados
Unidos, durante os anos 30. O livro conquistou o prêmio Pulitzer e vendeu 30
milhões de exemplares desde sua publicação em 1960.
Segundo os indicadores, em
apenas uma semana de instalação do programa as bibliotecas de Chicago
emprestaram mil volumes do romance, as livrarias da cidade solicitaram centenas
de exemplares e o livro foi inscrito nos cursos das escolas públicas.
Além do mais, aconteceram
encontros e reuniões em bibliotecas, centros comunitários, museus, escolas,
livrarias, com a finalidade de discutir o livro de Harper Lee. O filme baseado
no livro, produzido em 1962, também foi exibido e até mesmo o tribunal de
Chicago simulou um julgamento para evocar a história do personagem principal do
romance. Temos o retrato de uma cidade reunida em torno de um livro.
Para nós, brasileiros,
parece um sonho, já que, infelizmente, temos um grande número de pessoas com
um grau razoável de escolaridade mas que não se importam com a cultura,
favorecendo que a “globalização” coopere para a desintegração de um
pensamento verdadeiramente nacional.
Depende de cada um de
nós, acreditar que podemos mudar esse paradigma!
Sandra Regina Sanchez
Baldessin
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