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Se a religião não conseguiu unir a Grécia, o atletismo,
periodicamente, o conseguia.
Tamanha importância atribuíam a esses torneios, que nem a própria invasão
persa os interrompeu, enquanto os espartanos tentavam barrar os persas nas Termópilas,
uma multidão vibrava com a vitória de Teágenes de Tasos. Os persas muito se
admiraram de os gregos não estarem todos nas Termópilas e sim em Olímpia.
O que começou como uma homenagem a Zeus, com o tempo passou a ser patrocinado
pelos ricos que mantinham atletas profissionais.
Os gregos são conhecidos pelo seu culto à saúde, à beleza e à força. Isso
fazia com que de quatro em quatro anos se reunissem em Olímpia, Delfos, Corinto
e Neméia. Cada uma das dez divisões da Ática era representada por 24 homens
escolhidos pela saúde, vigor e beleza viril.
Esses jogos destinavam-se também, a deixarem os homens sempre aptos para a
guerra, onde teriam que arremessar lanças e pedras, e correr e pular obstáculos.
Imaginamos os peregrinos e atletas partirem com um mês de antecedência, rumo
ao local dos jogos. Mercadores expunham de comida até cavalos e estatuária,
enquanto acrobatas e mágicos realizavam seus truques diante da multidão. Os
festejos eram para os homens, pois deles que deles não participavam as mulheres
casadas, as mulheres tinham seus jogos particulares nas festas de Hera. Só os
gregos nascidos livres podiam tomar parte na competição. Os Atletas (de athlos,
competição) eram selecionados em eliminatórias locais e municipais, depois de
se submeter a dez meses de rigoroso treino sob a direção dos aidotribai
(literalmente, massagistas de moços) e gymnastai.
Quando tudo estava pronto, os atletas eram levados ao estádio em meio à multidão
ovaçante e anunciava-lhes os nomes e cidades donde vinham. Apresentavam-se
todos nus ou com um cinto.
As provas mais importantes formavam o pentathlon, ou os cinco torneios. O
primeiro era um salto em distância com pesos nas mãos. O segundo era o
arremesso de um disco de metal ou pedra. A terceira o arremesso de dardos ou lanças.
A Quarta, a mais importante era uma corrida cujo comprimento era de duzentas
jardas. A Quinta era uma luta, certamente originário do boxe da Creta minoana
que evoluiu para uma luta livre que tudo era permitido, incluindo pontapés no
estômago, exceto dentadas e arrancamento dos olhos. Três desses lutadores,
cujos nomes nos chegaram, venceram nessa luta fraturando os dedos dos adversários;
outro desferiu golpes tão ferozes, com as afiadas unhas, que dilacerou as
carnes do adversário e arrancou-lhe os intestinos.
Além do pentathlon, havia outras formas de corrida e corridas de cavalos e
carros onde poucos chegavam ao final e muitos morriam.
Nada se sabe sobre os recordes, mesmo porque não tinham meios para marcar
pequenos espaços de tempo. Conta-se de um corredor que vencia as lebres na
corrida; outro que venceu um cavalo numa corrida entre Coronéia e Tebas. E Fídipes,
que cobriu a distância entre Atenas e Esparta em dois dias, que foi o escolhido
para levar a notícia da vitória na batalha de Maratona correndo cerca de 42
Km, morrendo de infarto no final.
ABRALI
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