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A primeira pessoa a desenvolver
estudos efetivos sobre como se deve ler literatura foi Louise
Rosenblatt, na década de 1930, quando o esforço de intelectuais
judeus atingiu o clímax, no esforço para contrabalançar a
perseguição nazista. A impotência física e material deveria
ceder lugar à razão e à sensibilidade. A leitura, no âmbito
social, poderia reverter ou minorar a insanidade da guerra, que se
desenhava no horizonte. Começa, por isso mesmo, nesta época, o
investimento sionista nos meios de comunicação, notadamente, no
cinema e na imprensa, o que, aliás, perdura até nossos dias, numa
tentativa estéril de reverter o percebido holocausto. A imagem
construída pelo texto e a de forma acabada apresentada no cinema
teriam mais valor pelos seus propósitos em si, do que o retorno no
investimento. Ela fazia parte do esforço sionista, junto com outros
autores de origem judaica, de fazerem frente à máquina de
propaganda anti-semita nazista. Até o já internacionalmente
conhecido cientista Albert Einstein
virou artista de cinema em Hollywood, nos estúdios do senhor
Meyer, proprietário dos estúdios da MGM.
Louise, como professora de literatura
inglesa, desenvolveu, nesse sentido, uma teoria sobre a resposta do
leitor (Reader-Response Theory). Mesmo atualmente, esta teoria
continua a ser dominante, e sua influência pode ser notada nos
trabalhos atuais de pesquisa sobre como ensinar literatura, se é
que ela ainda é lida em nossas escolas nos dias atuais. O que é
literatura é uma questão extremamente íntima, de gosto e feitio
pessoal, intransferível.
Apesar do progresso geométrico dos avanços na tecnologia de
informática ter resultado numa realidade virtual, com jogos de
simulação de aprendizado, através do aceso via internet às
livrarias eletrônicas, o ensino da literatura continua ainda a ser
feito, no terceiro milênio, pelo livro em si. Ainda não houve, Graças a Deus, a substituição
do prazer do contato físico no manuseio das idéias em construção.
Poderá, quem sabe talvez, desaparecer
um dia. Será como substituir o contato epidérmico-sensual
por uma pílula do prazer. Mas sempre haverá uma Barbarella para nos fazer voltar à realidade. A leitura
cibernética exposta, a outros olhares, rouba o prazer da
intimidade, construída no relacionamento direto e pessoal do leitor
com o texto e com o livro.
Durante as últimas seis décadas,
desde a publicação pela primeira vez de "Literatura as
Exploration" (Literatura como Exploração) no ano de 1938,
muitas teorias surgiram e caíram no esquecimento no campo do ensino da literatura.
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"A compreensão especial e, mais particularmente, as associações submergentes, que
essas palavras e imagens têm para o leitor individual, determinarão
em larga escala o que o trabalho lhe comunica. O leitor traz para o
trabalho traços de personalidade, memórias de eventos passados,
necessidades e preocupações presentes, sua disposição particular
e suas condições físicas do momento. Esses e muitos outros
elementos, que nunca mais serão repetidos, determinarão sua
resposta a contribuição peculiar do texto."
Rosenblatt, Louise
(1938). Literature as Exploration. N Y: Appleton-Century, pg 30-31
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Basicamente,
a resposta do leitor à literatura rejeita o "Novo
Criticismo" dos anos 50, que considerava o próprio texto como
central, e caberia ao professor
ensinar as habilidades de abertura, concisão, fechamento e
análise. Mais tarde, nas décadas de 60 e 70, vários estudiosos
estimularam um deslocamento, em direção ao relacionamento direto
do leitor com o texto.
Rosenblatt, que focalizou a singularidade de uma transação
momentânea, que ficou conhecida como "teoria transacional",
propõe que a compreensão de um texto deriva da transação entre o
texto e o leitor, em contraste com outras teorias que enfatizam um
ou outro como determinante. Para ela, a "transação"
permite enfatizar "de" e "para"
em forma de uma espiral, não linear, com influência
continuamente recíproca, ou seja, ambos, leitor e texto,
construindo a compreensão.
O entendimento leitor-texto, desenvolvido no âmbito social,
possui os mesmos contornos do escritor-texto. Cada um respondendo a
estímulos sócio-culturais do momento em que se interagem. A
escrita derramada em cima do texto traz , dentro de si, as alegrias
e amarguras de um tempo. A leitura capta apenas uma parte deste conteúdo, revelado em outro
universo. Nas entrelinhas surge a história, com seus personagens.,
eus momentos de júbilo e de angústia.
É claro que diferentes interpretes
captarão diferentes intenções, exatamente, porque elas são
criações do leitor e não do autor. Assim como o autor falha ao
tentar reviver o passado, a mesma coisa acontece quando o leitor
tenta restabelecer a criação do autor.
Autor:
Moacyr
Mallemont Rebello
Todos os direitos da pesquisa pertencem ao Historiador
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