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“Estácio de Sá, capitão-mor da armada que el-rei nosso senhor mandou a
correr a costa do Brasil, e a povoar o Rio de Janeiro, e nela estou ora
fazendo a fortaleza em nome do dito senhor.”
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1º de março de 1565 [1]
Observando
a geografia da entrada da Baia de Guanabara (Guarã-barã, seio-do-mar), que
Martin Afonso de Souza batizara num sábado, primeiro dia de 1531, de “Rio[2]
de Janeiro”, encontraremos na parte mais externa, as Pontas do Arpoador à
esquerda, e a de Itaipú (pedra na lagoa), à direita. Na parte interior e
contígua ao promontório do Arpoador, aquela que pelo mar sempre agitado,
receberia o nome de Praia do Diabo. Em seguida, a praia que viraria sinônimo da
futura cidade – Copacabana, devido a uma imagem da Nossa Senhora de Copacabana
(Copa caguana[3],
lugar luminoso), que trazida mais tarde do Peru, iria ornamentar uma pequena
capela. Do outro lado da baía, onde se desenvolveria a cidade de Niterói
(água escondida), a Praia de Itaipú, homônima da ponta. Ambas expostas às
intempéries naturais do mar aberto, e portanto, desaconselháveis tanto para
construção de embarcadouros, como de fortificações que os portugueses
necessitariam para expulsar os franceses, que ali se alojaram. Navegando em
direção ao interior da baía, e contornando o Morro do Leme, no final da Praia
de Copacabana, surge a Praia Vermelha. Em seguida a esta, o morro do “Pão de
Assucar”, assim denominado pelos portugueses, de acordo com a grafia da
época. Depois, o morro “Cara de Cão”, que havia sido denominado pelos
franceses comandados por Nicolau Durand de Villegaignon, de Le Pot au Beurre (O
Pote de Manteiga). Na pequena penedia de “cento e oitenta braças[4]”,
compreendida entre as duas elevações, e que agora é denominada de “Praia de
Fora”, desembarcaram os homens, onde posteriormente, se construiria a
Fortaleza de São João. Na parte norte, seria erguida a Fortaleza do Registro,
que mais tarde, foi chamada de Fortaleza de Santa Cruz. Junto à Fortaleza de
São João, por ocasião do 350o aniversário de fundação da cidade, foi
colocado o “Marco de Fundação da Cidade”.
Fortaleza de
São João mandada construir por Estácio de Sá em 1565 (foto 1894).
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“Aos vinte dias do mez de janeiro de mil novecentos e quinze compareceram na
esplanada e encosta do morro chamado ‘Cara de Cão’, onde é sita a
fortaleza de São João, na capital da República dos Estados Unidos do Brasil,
as pessoas no final assinaladas, quais componentes do primeiro Congresso de
História Nacional, reunido de sete a dezesseis de setembro de mil novecentos e
quatorze, e que declararam ...”
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro
Max
Fleiuss (Secretário Geral) [5]
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Inicialmente chamada de “São Sebastião”,
à invocação do rei-menino de Portugal que morreria, mais tarde em 1578, na
Batalha de Alcácer-Quibir, lutando contra os mouros na África, o local que
ficaria conhecido como “Vila Velha”, após a expulsão dos franceses. O
objetivo principal dos portugueses era desalojar os franceses de Henriville[6],
capital da France Antartique, onde haviam edificado uma fortaleza na Ilha de
Sirigipe, nome este que assinala para a grande quantidade de siris existente nas
proximidades. Nesta ilha, que hoje se chama “Villegaignon”, e se encontra
ligada ao continente devido a vários aterros, seria instalada mais tarde a
Escola Naval – o mais antigo estabelecimento de ensino superior do país.Foram
quase dois anos de lutas, para que os franceses fossem definitivamente
derrotados, e expulsos do Rio de Janeiro. Uma dessas refregas ocorreu numa
pequena enseada, na parte interna da baía, próximo ao Pão de Açúcar,
situada a meia distância das posições fortificadas de ambas as partes. Vindos
da “Vila Velha”, por terra, os portugueses que buscavam uma posição mais
próxima do inimigo, ergueram suas defesas, e instalaram canhões na praia da
Enseada de Francisco Velho, um dos companheiros de Estácio de Sá, que lá
fizera umas lavouras. Os franceses, saindo da Ilha de Sirigipe, vieram pelo mar,
em barcos a remo e em canoas de seus aliados Tamoios, para impedir essa
incômoda aproximação lusitana. Os portugueses se defenderam com tiros de
canhões, que eram acionados por bastões, utilizados para atear fogo às
espoletas, e chamados de “bota-fogo”.
Mais tarde o colono português João Pereira de Souza, que se distinguiu na
luta, contra franceses e Tamoios em Cabo Frio, recebeu como recompensa, uma
sesmaria[7]
nesta Enseada de Francisco Velho, passando ele próprio a usar o apelido de
Botafogo, já que a ele a terra agora lhe pertencia.O espaço amplo,
desconhecido e temido, transformou-se num lugar recortado efetivamente, onde
começa a emergir da experiência vivida, um mundo ordenado e com significado.
Mem de Sá, o terceiro Governador Geral do Brasil, e que havia assistido ao
combate final de 20 de março de 1567, no qual foi ferido mortalmente seu
sobrinho Estácio de Sá, deixa outro sobrinho, Salvador Correia de Sá, como
substituto daquele. Transfere a sede da cidade, denominada definitivamente de
São Sebastião do Rio de Janeiro, para o morro do Castelo. Começa neste
momento a se desenvolver, como não poderia deixar de ser, perto do cais, a
futura metrópole, com ruas acanhadas e estreitas. Pela data de construção das
Igrejas, podemos acompanhar o direcionamento deste crescimento. A Nossa Senhora
da Candelária, no centro, foi construída entre 1600 e 1604, com a madeira da
nau que trouxe a imagem de Nossa Senhora de Copacabana para o Brasil, a de São
Francisco Xavier (1641) na Tijuca, e a de Nossa Senhora da Apresentação (1648)
em Irajá, são as primeiras. O que demonstra que o desenvolvimento urbano no
século XVII, era no sentido oeste, em direção aos engenhos de açúcar
criados por Salvador de Sá, que deram origem aos bairros do Engenho Novo, cujo
primeiro nome foi “Venda Grande”, e Engenho Velho, hoje conhecido como São
Francisco Xavier.Essas freguesias começaram a ficar mais densamente povoadas, e
a cidade se expandiu, limitada pela exuberante topografia. As vésperas da
chegada de D. João, a capital do Vice-Reinado do Brasil já contava com cerca
de 130.000 habitantes.
Referências
Bibliográficas
[1]
LISBÔA, Balthasar da Silva. Anais do Rio de Janeiro, Tomo I. Reeditado pelo
Serviço de Museus da Cidade do Departamento de História e Documentação da
Secretaria Geral de Educação e Cultura da Prefeitura do Distrito Federal,
1941.
[2]
Em latim flumen, fluminis, e "Fluminenses", seus primitivos
habitantes.
[3]
Palavra de origem Quíchua, dos índios peruanos.
[4]
Uma braça equivale a 2,2 metros.
[5]
COSTA E SILVA, Alexandre Campos da. Dicionário de Curiosidades do Rio de
Janeiro, 1. ed. Rio de Janeiro: CIL.
[6]
Em homenagem ao rei da França, Henri II (1547-1559)
[7]
Antiga medida agrária que corresponde a 3.000 braças ou 6.600 metros.
Fundo
musical - Cidade Maravilhosa, Hino Oficial da Cidade do Rio de Janeiro,
samba-canção de André Filho.
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