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Visconde de Taunay


Visconde de Taunay 

O último herói brasileiro do século XIX 

Moacyr Mallemont Rebello Filho 
(Historiador) 

A historiografia brasileira recente tem o cacoete de esquecer nossos feitos e personagens do passado, substituindo-os por modismos importados, que não vem ao caso discutir no momento. Apenas se deseja fazer justiça a alguém, cuja memória deveríamos conhecer e reverenciar, como exemplo para o futuro de nossa juventude, como outros países fazem com seus personagens ilustres. 

"Herói" (do grego "heros") , segundo a Enciclopédia Larousse, é: 1. Nome dado pelos gregos aos grandes homens divinizados - 2. Aquele que se distingue por seu valor ou por suas ações extraordinárias, principalmente por feitos brilhantes durante a guerra. - 3. Principal personagem de uma obra literária (poema,
aromance, peça de teatro, etc.) ou cinematográfica; protagonista. - 4. Principal personagem de uma aventura, e um acontecimento. - 5. Pessoa que é centro de atenções por algum motivo. 

Alfredo Maria d'Escragnolle Taunay, nascido e falecido, aos 56 anos de idade, no Rio de Janeiro, foi Engenheiro, Geógrafo. Como Oficial do Exército Imperial, começou como 2o Tenente na Retirada da Laguna, terminando como Major ao final da na Guerra do Paraguai. Foi professor de História, Línguas, Mineralogia, Biologia e Botânica no Colégio Militar; Deputado por Goiás e Santa Catarina; Senador por Santa Catarina; Presidente das Províncias do Paraná e de Santa Cataria; Presidente da Sociedade Central de Imigração, que promoveu a vinda dos primeiros emigrantes alemães e italianos para o sul do Brasil; fundador da Academia Brasileira de Letras (etimologia, dicionário, poemas,
aromances, peças de teatro, etc.) e da Academia Brasileira de Música (estudos e partituras em parceria com Carlos Gomes). Redigiu seu próprio epitáfio. 

Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay 

(Rio de Janeiro, 22/02/1843 - idem 25/01/1899) 

A Missão Artística Francesa de 1816 

Os acontecimentos políticos no início do século XVIII, na Europa, evoluem com a invasão de Portugal pelas tropas francesas e a conseqüente vinda da Corte Portuguesa. Napoléon é derrotado em Waterloo em 1815, Dom João, cá permanece.

Entre os benefícios gerados por desejo do Príncipe Regente, encarrega este ao Conde da Barca, em 1816, a organização de uma Escola Real das Ciências, Artes e Ofícios. O Marquês de Marialva, embaixador extraordinário junto à Corte de Louis XVIII, indica Joachim Lebreton para organizar a tarefa. Secretário recém demitido da Academia de Belas Artes do Instituto de França, por não concordar com a restauração da monarquia dos Bourbon, prontamente aquiesce. Por estarem igualmente descontentes com a situação política reinante na França e que lhes era adversa pelas relações num passado recente, também, acolhem o convite para vir ao Brasil: Auguste Henry Victor Grandjean de Montigny (arquiteto), Auguste Taunay (escultor), C. H. Levasseur (arquiteto), François Bonrepos (escultor), François Ovide (professor de mecânica), Jean Baptiste Debret (pintor), L. Simp. Meunié (arquiteto), Nicolas Antoine Taunay (pintor), Pierre Dillon e Charles Simon Pradier (gravador). 

Com o falecimento do Conde da Barca em junho de 1817, o projeto da instalação da Academia não tem continuidade e dá ensejo a um descontentamento geral.

Nicolas Antoine Taunay 

Nicolas Antoine Taunay, nome de rua em Paris, membro da Missão Artística Francesa de 1816, era filho de Pierre Antoine Henry Taunay, que foi químico e pintor da famosa Manufatura Real de Sèvres, na França, que ficou mundialmente conhecida pela "Porcelana de Sèvres". Deste casamento, nasceram dois filhos, Nicolau Antoine, e Auguste Marie. Sua família, originária da Normandie, por desavenças políticas e religiosas, pois tornara-se calvinista, havia feito com que se deslocasse e sobretudo empobrecesse.[1] Ambos dedicaram-se às artes, não só por tradição familiar, mas, sobretudo, por inclinação artística. De Auxerre, uma pequena vila abadicial onde os pais haviam se casado até a fama em Paris, muito foram os sacrifícios e anos de dedicação. Nicolau Antoine tornara-se pintor reconhecido e premiado. Seu irmão Auguste Marie tornara-se escultor laureado, chegando a ocupar um posto em Sèvres, no qual o pai anteriormente trabalhara. Sobrevivendo ambos, aos primeiros momentos da Revolução Francesa, conseguem, a força de seus talentos, aproximar de Napoléon e de sua mulher Josephine. Nicolau torna-se o pintor predileto da esposa do Imperador, enquanto a Auguste Marie sobravam-lhe encomendas no Museu do Louvre. 

Junto com Nicolau Antoine Taunay e sua esposa Marie Josephine Rondel, vieram para o Brasil, seus cinco filhos: Auguste Marie Charles, Thomas Marie Hippolyte, Aimé Félix Émilie, Théodore Marie e Aimé Adrian, serviçais e auxiliares. 

A chegada ao Rio de Janeiro 

Zarpando do porto francês do Havre, o pequeno brigue americano Calpe, de três mastros, fazendo escala em Cabo Verde, levam 63 dias para chegar ao Rio de Janeiro. 

"Não tardou em descobrir delicioso retiro, de edênica beleza, a Cascatinha Taunay, na Tijuca; adquiriu uns alqueires de floresta em torno da cachoeira e ali edificou pequena mas confortável casa, para onde se mudou com a família e o irmão à espera de que se inaugurasse a projetada academia." [2] 


Com o falecimento do Conde de Barca em 1817 e o de Lebreton em 1819, faz com que assuma a direção da propalada Academia o anglófilo Henrique José da Silva, que praticamente desfaz o projeto original, que ainda não se concretizara. 

"Os esforços dos três franceses Lebreton e os dois Taunay, esbarravam ante a inveja e a má vontade dos brasileiros. Assim suprime a existência de Debret, Grandjean de Montigny, Pradier e seus demais companheiros..." [3] 

Aime Félix Émile Taunay 

O filho de Nicolau Taunay, Félix Émile Taunay, passa a ser, então, um dos preceptores do jovem Pedro de Alcântara e, posteriormente, "Professor de Paisagem" da Academia de Belas Artes, com várias telas no Museu Nacional e no Museu Imperial de Petrópolis. Nessa qualidade, foi um dos sócios fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838. Propugnador incansável de grandes reformas sociais, como a grande naturalização, a ele podemos creditar a essência da formação de seu primogênito, Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay, nascido a 22 de fevereiro de 1843, no Rio de Janeiro. 

Nas raízes desta influência, estão o passado calvinista da família na França, a emigração, o recomeçar no Brasil e a rejeição movida por José Henrique da Silva, contra seu pai, Nicolau Taunay. 


Alfredo Maria Adriano d'Escragnolle Taunay 


Taunay nasceu e se criou num ambiente de romantismo francófilo, em São Cristóvão, bairro da nobreza, no Rio de Janeiro. Em 1858, conclui o Curso de Humanidades, no Collegio de Dom Pedro II. Sentou praça no Exército Imperial em 1861, aos 18 anos, no 4o Batalhão de Artilharia a Pé. Concomitantemente, como era de praxe, freqüenta as aulas na Escola Central com a finalidade de obter os títulos de Engenheiro Militar e Bacharel em Sciências Physicas e Mathematicas. No ano seguinte, como era de se esperar, é promovido a Alferes-Aluno. Com a eclosão da Guerra do Paraguai em 1865, aos 22 anos, no posto de 2o Tenente, é enviado para o teatro de operações pelo então Ministro da Guerra, Visconde de Camamu. É incorporado à Comissão de Engenheiros, anexou-se ao Corpo Expedicionário que, via São Paulo, Uberaba e Miranda, tinha por meta rechaçar as tropas paraguaias de Solano Lópes, que haviam invadido a Província de Mato Grosso. 

Durante três longos anos, permaneceu na região do planalto central brasileiro, tendo tomado parte ativa da Retirada da Laguna, que sua pena imortalizou. 

Em 1868, retornando ao Rio de Janeiro, foi nomeado para o Estado-Maior do Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel, que o encarregou de redigir o Diário do Exército, publicado sob o título de A Campanha da Cordilheira.[4] 

"Nesse assalto de Perbebuí, tomei contra a vontade, parte na mais singular e mal pensada carga de cavalaria que imaginar-se pode. Houve um grito: 'Carregue a Cavalaria', e por diante de mim passou, como um turbilhão, um regimento inteiro a galope. O meu cavalo tomou o freio nos dentes e eis-me envolvido naquela onda oscilante, numa disparada horrível por uma rua espaçosa que ia desembocar naquele largo. Foi quando ouvi a voz de João Carlos da Rocha Osório, que me bradava: - Aperta os joelhos, Taunay, senão estás perdido!"[5]

A Retirada da Laguna 

"La Retraite de Laguna" (A Retirada da Laguna) é o primeiro livro publicado de Alfredo Taunay, aos 28 anos de idade, logo após o retorno da Guerra do Paraguai, em 1871. Escrito em francês e impresso no mesmo ano, na Typographie Nationale, do Rio de Janeiro, é uma narração de suas anotações e memórias daquele episódio militar, no sertão de Mato Grosso. Esta aventura que marcou-o profundamente, expõe um jovem militar culto da Corte, às realidades dos sertões mais longínquos de nossas fronteiras. 

"A idéia de viajar durante vários meses por 'sertões imperfeitamente conhecidos e mal explorados' seduziu imediatamente o jovem Taunay, que passou a acalentar projetos científicos, como o de 'descobrir um gênero novo de planta, pelo menos uma espécie ainda não estudada e classificá-la' ."[6] 

Inocência 

Coloca essa idéia em prática ao escrever Innocencia (Papilio Innocentia), em 1872. O romance, que apresenta uma descrição bastante fiel do sertão brasileiro e de sua realidade sócio-cultural, talvez, seja uma das últimas obras de ficção do romantismo brasileiro. Essa preocupação com o conhecimento da natureza Taunay deixa visível na A Campanha da Cordilheira, onde não só descreve as ações militares, mas as complementa com descrições detalhadas e científicas, da vegetação nos teatros de operação do exército brasileiro. 

Inocência é a história de uma moça do interior, homônima do título do livro, que conhece um pesquisador alemão, Sr. Meyer, em andanças pelas Províncias de Goiás e Mato Grosso. Este descobre uma nova espécie de borboleta (Papilio), a qual dá o nome da jovem. 

Mais tarde, em 1982, sob a direção de Walter Lima Júnior,viraria filme de sucesso, com Edson Celulari e Fernanda Torres no papel-título.


O início na política 

Pelas mãos do Visconde do Rio Branco, Taunay ingressa na política, sendo eleito, em 1872, Deputado pela Província de Goiás, graças ao interesse e apoio do amigo. Sua intensa atuação, notada por Caxias, chefe do gabinete de junho de 1875, faz com que este o nomeie Presidente da Província de Santa Catarina. 

"Tomando posse do Governo da Província, a 7 de Julho, n'ella permaneceu Taunay até 2 de Janeiro de 1877, tendo procurado, com recursos escassissimos da receita provincial, levar a cabo grande numero de urgentes obras publicas e, sobretudo attrahir população européa, na faina constante de por em pratica as ideias de fervente immigracionista: á sua administração se devem, entre outros, alguns dos primeiros nucleos coloniaes fundados nos fertilissimos valles do Araranguá e do Tubarão, hoje são prosperos e povoados."[7]

Durante sua curta mas produtiva permanência na presidência da Província de Santa Catarina, nasce em 1876, na capital Desterro, seu filho Affonso d'Escragnolle Taunay, mais tarde igualmente historiador, escritor e acadêmico. 

Nos anos de 1878 e 1879, Taunay empreende longa viagem por países da Europa, percorrendo principalmente museus e pinacotecas. 

"Frequentes correspondencias publicou, então, no Jornal do Commercio, de impressões de viagem e sobretudo de visitas a museus, especialmente a pinacothecas, percorridas com extrema attenção."[8]

Em 1881, é introduzido o regime de eleição direta, e Taunay resolve concorrer a uma vaga para Deputado pela Província de Santa Catarina, que tão bem o havia acolhido. 

"A 31 de outubro de 1881 tem-se nova eleição para a representação catarinense à Assembléia Geral Legislativa do Império, na sua 18a Legislatura (1882-1884). No primeiro escrutínio nenhum deles obteve maioria absoluta, havendo, então, um segundo escrutínio entre os dois mais votados - Taunay com 648 votos e Pitanga com 570 - sendo eleito Taunay."[9]

A Sociedade Central de Imigração 

"Somente a partir da década de 1880, várias iniciativas começam a se esboçar, no sentido de tornar o Estado brasileiro mais moderno, para atrair a imigração. O prestígio de Taunay como militar, professor historiador e escritor, e agora político, além de profundo conhecedor do sertão brasileiro, leva-o a novos empreendimentos. Na esperança de encontrar uma saída para a difícil situação agrícola-escravagista do Brasil de então, procura através da constituição da Sociedade Central de Imigração em 1881." [10]



"A 17 de fevereiro de 1881 installa-se solennemente, com a assistencia do Imperador, a Sociedade Central de Immigração, fundação devida em grande parte aos esforços de Taunay e onde se congregou forte nucleo de homens de valor como os Viscondes de Beaurepaire Rohan e de Barbacena, os Barões de Tautphoeus e de Irapuá, André Rebouças, Luiz Couty, o mallogrado e notavel physiologista, Wilhelm Michler, o sabio lente da Polytechinica, os Conselheiros Nicolau Moreira e Oliveira Lisboa, Carlos von Koseritz, Ferreira de Araujo, Manuel Euphrasio Correia, H. Gruber, o Dr. Herman Blumenau, Giacomo de Vicenzi, Octavius Haupt, Theodoro Schieffler, Wenceslau Guimarães entre outros..."[11]

Para que se possa compreender o trabalho desenvolvido pela Sociedade Central de Imigração, é imprescindível conhecermos o que pensava Alfredo Tauna, na liderança desse projeto. 

"Desde muito moço, sob o influxo do espirito esclarecido de seu Pae, o Barão de Taunay, convencera-se da necessidade do rapido povoamento do nosso solo; sorria-lhe a visão philantropica, da multiplicação, na terra brasileira, de colonias de felizes escapos à miséria européa, e queria um Brasil pejado de brancos, a realisar na América do Sul o que os Estados Unidos haviam feito no hemispherio septentrional."[12]

Taunay representava, ao final do Império, no Brasil, uma das poucas cabeças lúcidas, com larga visão de mundo e de civilização, que carregavam em seu bojo, os ideais herdados da Revolução Francesa de 1789.


O Senador de Santa Catarina 


Dissolvido o gabinete em 1884, é convocada uma nova eleição para 1o de março de 1885. Candidatando-se novamente pelo 1o Distrito de Desterro, perde a eleição para o Dr. Eduardo Paranhos Schutel. Mais tarde, no mesmo ano, é convidado pelo gabinete do Barão de Cotegipe, para Presidente da Província do Paraná, onde permaneceu até maio de 1886. Durante o curto período de oito meses que ocupou o cargo, a ele se devem muitas das medidas para estimular a imigração européia, que era o ponto central de sua administração. Devem ser creditadas, também, à sua administração, a fundação da Biblioteca e do Museu Paranaense e a Reforma da Instrução Primária da Província. 

Eleito novamente deputado pelo 1o Distrito da Província de Santa Catarina, volta ao Rio de Janeiro. 

No início de 1886, falece o Almirante Jesuino Lamego Costa, o Barão da Laguna e Senador por Santa Catarina. Como deputado, retorna a Santa Catarina para nova campanha política, almejando a toga senatorial. Aos 43 anos de idade, é eleito para o cargo vitalício, confirmado por Dom Pedro II e ratificado pelo Senado. 

É ai no Senado, onde sua voz se torna mais ouvida, que passa a ocupar a tribuna para dar a conhecer suas idéias sobre a imigração, a grande naturalização e o casamento civil. 

Ainda em 1886, publica duas brochuras: O Casamento Civil e Nacionalização, que leva o autor a sustentar ardentes debates com O Apóstolo, jornal católico do Rio de Janeiro.

O criador de palavras 

A língua portuguesa é formada, na sua origem, pelo latim e, em parte, direta ou indiretamente, pelo grego. Influências externas sempre levaram outros países a adotarem termos e modismos dominantes. Na segunda metade do século XVIII, repercutem no mundo culto, os escritores franceses e as óperas italianas. Machado de Assis e outros escritores brasileiros demonstraram, através de suas obras, a força dessa influência, nas constantes citações em francês. Os temas nacionalistas se estendem pelo Teatro Scala de Milão, com as Óperas "O Escravo" e o "Guarani", de Carlos Gomes. O Brasil começa a exportar cultura!


"Uma coisa é mapiar à toa, outra falar com tanto." 

Inocência

Mapiar que significa falar, tagarelar, parolar é um dessas palavras, retiradas por Taunay, dos campos mato-grossenses, ao tempo da Retirada da Laguna.

Em 1872, recebeu ele uma inusitada encomenda de uma palavra, por parte do Dr. Ferreira Vianna, Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A mudança do depósito de cadáveres de uma saleta na Ladeira da Conceição para um prédio novo no Largo do Moura, seria o motivo. Por comparação com a palavra grega "coimeterion", que significa "proteção ao sono", sugeriu com "nekros" (morto), a palavra "Necrotério". E, em 1873, o novo prédio foi solenemente inaugurado sob o nome de "Necrotério Municipal". Virou "cemitière" e "cemetery", abandonando-se o "morgue". 


O músico Taunay 

"Eu, avisado por Tibúrcio, ia a procura de anunciado piano. Havia tanto tempo que estava privado desta distração! Achei, com efeito, o desejado instrumento, bastante bom e afinado até, e pus-me logo a tocar, embora triste espetáculo ao lado me ficasse: o cadáver de infeliz paraguaio, morto durante o bombardeio da manhã, por uma granada que furara o teto da casa e lhe arrebentara bem em cima."[13]

Em 1888, o compositor Carlos Gomes termina de compor a ópera Lo Schiavo (O Escravo) com argumento de Visconde de Taunay, de quem era pessoal amigo, com libreto de Paravicini.[14] 

Neste mesmo ano, dedica a ópera Maria Tudor ao amigo Taunay. De volta ao Brasil em 1889, apresenta no dia 27 de setembro, O Escravo no Teatro Imperial D. Pedro II (Teatro Lírico), em homenagem à Princesa Isabel e à Lei Áurea. D Pedro II promete-lhe a direção do Conservatório do Rio de Janeiro. Menos de dois meses após a República é proclamada, e a promessa não pode se concretizar. 

Post-mortem, em 1930, foi impresso pela Melhoramentos, o livro do Visconde de Taunay, "Dous artistas máximos, Jose Mauricio e Carlos Gomes", onde apresenta estudos musicais, sobre a obra dos dois grandes compositores brasileiros. Esse trabalho lhe vale cadeira no 17, como Patrono da Academia Brasileira de Música.[15] 


O Acadêmico Taunay


Embora tenha se projetado no meio literário, sobretudo graças ao romance Inocência, foi também pintor e músico, tendo atuado ainda como jornalista e crítico literário. 

Sua produção literária é vasta, o que lhe valeu ser convidado como Sócio Fundador para a "Comissão de Constituição" da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 13, que tem como patrono Francisco Otaviano.[16] 

Começou a escrever em 1870, quando publicou o primeiro romance, Mocidade de Trajano, sob o pseudônimo de Sílvio Dinarte, que usaria na maior parte das suas obras de ficção. 

Obras principais: Mocidade de Trajano, romance (1870); A Retirada da Laguna, narrativa de campanha (1872); Inocência, romance (1872); Lágrimas do coração, romance (1873); Histórias Brasileiras, contos (1874); Ouro sobre Azul, romance (1875); Narrativas Militares, contos (1878); Céus e terras do Brasil, evocações (1882); Estudos Críticos, 2 vols. (1881 e 1883); O Encilhamento, romance (1894); No declínio (1899). 

Teatro: Da mão à boca se perde a sopa (1874); Por um triz coronel (1880);Amélia Smith (1886). 

Obras póstumas: Reminiscências (1908); Trechos de minha vida (1911);Viagens de outrora (1921); Visões do sertão, descrições (1923); Dias de guerra e do sertão (1923); Homens e coisas do Império (1924). Em sua bibliografia constam ainda obras de história, corografia e etimologia brasileira, sobre questões políticas e sociais, além de um dicionário da língua dos índios de Mato Grosso. 

Sobre sua lousa tumular, no cemitério de S. João Baptista, inscreve-se o epitaphio que compusera poucos meses antes. 

"Aqui jaz o autor de duas obras 

Que alcançaram renome valioso 

De Innocencia a historia sertaneja 

E da Laguna o feito glorioso"[17] 

25 de janeiro de 1899 


[1] TAUNAY, Affonso d'Escragnolle. A Missão Artística de 1816. Brasília: UnB, 1983. 

[2] TAUNAY, Affonso d'Escragnolle. A Missão Artística de 1816. Brasília: UnB, p. 157, 1983. 

[3] Ibd., p. 70. 

[4] TAUNAY, Visconde. A Campanha da Cordilheira. São Paulo: Melhoramentos, 1926. 

[5] TAUNAY, Visconde. A Retirada da Laguna. São Paulo: Companhia das Letras, p. 308, 1997.

[6] TAUNAY, Visconde. Memórias. São Paulo: Melhoramentos, 1928. 

[7] TAUNAY, Visconde. Homens e Cousas do Imperio. São Paulo: Melhoramentos, p. VIII, 1924. 

[8] TAUNAY, Visconde. Homens e Cousas do Imperio. São Paulo: Melhoramentos, p. IX, 1924. 

[9] PIAZZA, Walter Fernando. O poder Legislativo Catarinense. Florianópolis: Assembléia, p. 161, 1994.

[10]UNICAMP. História e Infra-Estrutura. unicamp.br/iel/memoria/base_temporal/ac_pol. , 1999. 

[11] TAUNAY, Visconde. Homens e Cousas do Imperio. São Paulo: Melhoramentos, p. XI, 1924.

[12] TAUNAY, Visconde. Homens e Cousas do Império. 1. ed. São Paulo: Melhoramentos, p. XI, 1924. 

[13] TAUNAY, Visconde. A Retirada da Laguna. São Paulo: Companhia das Letras, p. 310, 1997. 

[14] Óperas de Carlos Gomes. pub2.lncc.br/dimas/cgescr. dez, 1998.

[15] abmusica.org.br/patr17, set. 1998. 

[16] ABL/Home-page. .abl100anos. mar. 1998. 

[17] TAUNAY, Visconde. Homens e Cousas do Império. São Paulo: Melhoramentos, p. XXIV, 1924. 


Moacyr Mallemont Rebello Filho (Historiador)

© Todos os direitos da pesquisa pertencem ao Historiador.
        

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