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Tancredo de Almeida Neves (1910-1985) |
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Pesquisa:
Celso Brasil - ABRALI ©
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Manchetes dos
Jornais no Rio de Janeiro em 22 de abril de 1985 |
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JORNAL DO
BRASIL
“Tancredo de Almeida Neves, 75 anos, símbolo do maior, mais alegre e mais
pacífico movimento popular de mudanças políticas já ocorrido na História do
Brasil, morreu ontem, dia de Tiradentes, às 22h23min.
“Depois de 38 dias de internamento, em que foi submetido a sete cirurgias e
permaneceu 950 horas em hospitais, período em que o País comoveu-se às
lágrimas com seu estado de saúde, acompanhando-o com esperança e às vezes
com desengano, o coração de Tancredo, último dos seus órgãos vitais a
entrar em falência, não resistiu nem mesmo após a tentativa desesperada dos
médicos de reduzir-lhe a temperatura do corpo para 30 graus, a fim de evitar a
aceleração dos batimentos”. (...) |
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O DIA
“Sereno, mas com a voz embargada, o jornalista Antônio Brito, porta-voz da
Presidência da República, leu o último boletim médico: ‘Senhores, lamento
informar que o Presidente Tancredo Neves faleceu às 22h23m de hoje’. Tancredo
morreu assim no mesmo 21 de abril em que todo o País reverenciava a memória de
outro grande brasileiro, também mineiro como ele, o Tiradentes. Embora esperada
desde as primeiras horas da tarde, a notícia do falecimento emocionou os
tarimbados jornalistas e os poucos populares que teimavam em permanecer nas
proximidades do Instituto do Coração, apesar do forte esquema de segurança,
armado por soldados da Polícia Militar e do Exército. Lágrimas cobriram todo
o País e os brasileiros permaneceram a noite inteira colados aos aparelhos de
rádio e televisão”. (...) |
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ÚLTIMA HORA
“Exatamente às 22h23m de ontem morreu o Presidente Tancredo Neves, no
Instituto do Coração, em São Paulo, encerrando uma longa agonia de mais de
cinco semanas. O assessor de Imprensa Antônio Brito, que pouco antes lera um
boletim falando da irreversibilidade do quadro, comunicou o fato à Nação.
Tancredo, ao morrer, estava cercado pelos seus parentes. O corpo, embalsamado,
chega hoje a Brasília na hora do almoço. Foi decretado feriado nacional e o
Congresso reúne-se para dar posse a José Sarney que, em pronunciamento às
primeiras horas de hoje, prometeu seguir os postulados da Nova República, com
um Governo de probidade. Os metalúrgicos de São Paulo suspenderam a greve
geral. O governador Leonel Brizola, ao pronunciar-se a respeito, disse: ‘Tancredo
foi o homem certo para a hora certa. Sua obra realizou-se ainda que não tenha
exercido o poder sequer por um minuto’ ”. (...) |
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O GLOBO
“O Presidente Tancredo Neves morreu ontem, às 22h23m, aos 75 anos de idade,
depois de 39 dias de agonia e sofrimento, desde que foi internado, dia 14 de
março, para uma operação no intestino delgado. No início da noite de ontem o
estado de Tancredo Neves atingiu o que os médicos qualificaram de ‘gravidade
irreversível’: o coração, último órgão que resistia à doença e à
agressão do tratamento de emergência, aumentou de tamanho no lado direito e
não tinha mais condições de agüentar a pressão a que vinha sendo submetido
pelo tratamento para oxigenar o sangue. Os médicos constataram, também, a
ocorrência de novos focos infecciosos e concluíram que já não era possível
combatê-los. Além disso, Tancredo sofreu uma hipotensão - sua pressão caiu a
níveis críticos (9 por 4) - e, antes da missa das 18 horas, rezada na capela
do hospital, a médica Angelita Gama comunicou a Dona Risoleta, mulher de
Tancredo, que não havia mais qualquer esperança”. (...) |
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