|
Pequena
história e Pensamentos
Tancredo Neves nasceu no dia 4 de março de 1910 em São João Del Rei, Minas
Gerais. Diplomou-se em Direito pela Universidade de Minas Gerais e iniciou sua
carreira política em 1933, quando filiou-se ao Partido Progressista.
Com a decretação do Estado Novo getulista, em 1937, interrompeu sua carreira,
voltando à política em 1945, com a queda do Estado Novo. Foi eleito deputado
federal em 1950 e em 1953, com o apoio de Juscelino Kubitschek, foi ministro da
Justiça. Exerceu também os cargos de Primeiro-Ministro no governo de Jânio
Quadros e de governador do Estado de Minas Gerais em 1982.
Tancredo aceitou o desafio de se candidatar à Presidência da República e, com
o apoio de Ulysses Guimarães venceu as eleições, sendo eleito o primeiro
Presidente civil em mais de 20 anos, no dia 15 de janeiro de 1985. A posse
estava prevista para o dia 15 de março mas, na véspera, Tancredo foi internado
no Hospital de Base, em Brasília, com fortes dores abdominais e José Sarney
tomou seu lugar interinamente. Depois de sete cirurgias, veio a falecer em 21 de
abril de 1985, aos 75 anos de idade, vítima de infecção generalizada.
O pensamento de Tancredo
“União nacional, diálogo, entendimento, conciliação, trégua são nomes de
um estado de espírito que está se formando na comunidade nacional”. Trecho
do discurso de despedida de Tancredo Neves do Senado, em 1983
-
“O Brasil dos nossos dias não admite nem o exclusivismo do governo nem da
oposição. Governo e oposição, acima dos seus objetivos políticos, têm
deveres inalienáveis com o nosso povo”. Idem
-
“Se todos quisermos, dizia-nos há quase 200 anos, Tiradentes, aquele herói
enlouquecido de esperança, poderemos fazer deste país uma grande nação.
Vamos fazê-la”. Discurso perante o Congresso Nacional, logo após sua
vitória no Colégio Eleitoral sobre o deputado Paulo Maluf, 15 de janeiro de
1985
-
“Com o êxtase e o terror de haver sido o escolhido, como diria Verlaine,
entrego-me hoje ao serviço da nação”. Idem
-
“Esta foi a última eleição indireta do país”. Idem
-
“Ainda que o movimento de 1964 tivesse transformado a nossa pátria em um
paraíso, eu não me arrependo de lhe ter feito oposição. Para meu ideário
político, o valor absoluto da vida é a liberdade. O paraíso, se estiver
cercado, será sempre o inferno”. Ao receber o título de Personalidade do
Ano, da Associação Brasileira de Propaganda, em março de 1984
-
“Cada governo tem a oposição que merece. A um governo duro, intransigente e
intolerante corresponde sempre uma oposição apaixonada, veemente e destrutiva”.
Então deputado, em 1977, logo após o fechamento do Congresso Nacional pelo
presidente da República, Ernesto Geisel
-
“O meu MDB não é o MDB do senhor Arraes e o MDB do senhor Arraes não é o
meu, e nós dois sabemos disso há muito tempo”. Às vésperas da reforma
partidária de 1979, que desaguaria na criação do PP
-
“Nós somos amigos há mais de trinta nos e nos últimos dez sempre disputamos
a liderança do partido. Eu comandando os moderados e eles os radicais. Neste
momento, só eu tenho a liderança das duas alas. Mas não me arriscaria a
deixar o governo de Minas Gerais e enfrentar uma candidatura à Presidência da
República se o Ulysses não me apoiasse”. Sobre o presidente do PMDB, Ulysses
Guimarães, em 1984
-
“Não se tira o sapato antes de chegar ao rio. Mas também ninguém chega ao
Rubicão para pescar”. Muitas vezes para amigos, políticos e colaboradores
-
“Podem ficar tranquilos. Vou ser presidente nos mesmos termos do marechal
Deodoro: meus ministros vão poder fazer tudo, menos o que eu não quiser que
façam”. A um grupo de parlamentares do PMDB, em março de 1985
-
“Nosso propósito é o de presidir um grande acordo nacional para a
transformação do Brasil num país restaurado em sua honra, em sua riqueza e em
sua dignidade”. Discurso na convenção do PMDB, em agosto de 1984, ao ser
indicado oficialmente candidato do partido à Presidência da República
-
“A esperança é o único patrimônio dos deserdados, e é a ela que recorrem
as nações, ao ressurgirem dos desastres históricos”. Idem
-
“Até agora ele só enfrentou amadores, não enfrentou ninguém profissional”.
A um jornalista que se referiu à fama de imbatível do deputado Paulo Maluf
-
“O meu será um governo de centro, com tendências para a esquerda
conservadora”. Após sua escolha como primeiro-ministro do governo João
Goulart, em 1961
-
“Nação sem Constituição oriunda do coração de seu povo é nação
mutilada na sua dignidade cívica, violentada na sua cultura e humilhada em face
de sua consciência democrática”. Ao desperdir-se do Senado, em março de
1983, para assumir o governo de Minas
-
“E então, vamos conversar? Mas não em sigilo. Esta é a maneira nais
rápida, eficiente e segura de se propagar por todo o país quem disse, o que e
onde”. A um grupo de jornalistas
-
“Não é nada disso, minha filha. Macho é hoje uma palavra unissex”. À
deputada Ruth Escobar, desculpando-se por ter dito que a campanha eleitoral era
“uma luta para machos”
-
“As alvoradas da liberdade não surgem como um acontecimento natural. As
manhãs da liberdade se fazem com a vigília corajosa dos homens que exorcizam
com sua fé os fantasmas da tirania”. Ao deixar o governo de Minas Gerais, em
agosto de 1984, para concorrer à presidência
-
“1984 foi o ano da alvorada, anunciador das grandes mudanças que deveriam
começar em 15 de março de 1985, mas que já são visíveis e profundas e
enchem de orgulho toda a sociedade brasileira”. No artigo que escreveu para a
seção Ponto de Vista da última eleição de Veja, 1984
-
“Partidos que renunciam à luta, que abdicam de seu dever de pelejar pela
harmonia das condições do povo, não são partido políticos. Podem ser,
quando muito, um grêmio literário ou uma confraria de São Vicente de Paula”.
Crítica à decisão do PT de não comparecer ao Colégio Eleitoral
-
“Por favor, me deixem em paz. Não tenho nada a dizer. Não quero ser a Sandra
Bréa do MDB”. A um grupo de jornalistas
-
“A cabeça do Magalhães funciona como um terreno baldio, onde há sempre
alguém atirando alguma sujeira”. Aborrecido com o deputado Magalhães Pinto
por ele ter pregado um golpe, em 1984
-
“Para descansar, temos a eternidade”. Muitas vezes, a amigos, políticos e
colaboradores
-
“A grande decepção da minha geração é que achávamos que a democracia
estava definitivamente assegurada no país. Hoje vemos que quem tinha razão era
o Otávio Mangabeira, para quem nossa democracia era uma plantinha muito tenra”.
Numa entrevista em 1977, pregando a volta aos princípios democráticos
-
“É tapar o nariz com o lenço e ir ao Colégio Eleitoral, se isso for
necessário. Pode ser ruim, mas não ir pode ser péssimo”. Em junho de 1984,
quando sua candidatura indireta à Presidência da República já era fato
consumado
-
“Para a esquerda eu não vou. Não adianta empurrar”. Durante a
reformulação partidária de 1979
-
“Ocupei, sem que houvesse disputado, os mais altos cargos do governo e a
oposição do meu país e os deixei empobrecido, vivendo dos meus subsídios,
reforçados com os 'papagaios' que renovo de três em três meses nos bancos
amigos”. Numa entrevista em 1979
-
“O processo ditatorial, o processo autoritário, traz consigo o germe da
corrupção. O que existe de ruim no processo autoritário é que ele começa
desfigurando as instituições e acaba desfigurando o caráter do cidadão”.
Discurso em 1982
-
“A campanha pelas diretas é necessária, porém lírica”. Junho de 1983
-
“Se as esquerdas tivessem condições de mobilizar a massa humana que nós
vimos na Praça da Sé, em Curitiba e Salvador, já teriam tomado o poder neste
país”. Fevereiro de 1984
-
“Restaurar a democracia é restaurar a República. É edificar a Nova
República, missão que estou recebendo do povo e se transformará em realidade
pela força não apenas de um político, mas de todos os cidadãos brasileiros”.
No discurso de novembro de 1984, em Vitória, Espírito Santo, em que lançou a
Nova República
-
“De Norte a Sul do Brasil, estou pregando, em praça pública, a unidade
nacional. Prego a concórdia, a construção do futuro, e não me prendo aos
pesadelos do passado”. Idem
-
“O povo é a substância da República, como prova a raiz latina da palavra. A
República deve, pois, ser o compromisso fundamental do Estado para a solução
dos problemas do povo, o atendimento de suas necessidades básicas até de
sobrevivência”. Idem
-
“Podem os brasileiros estar seguros de que faremos, com prudência e
moderação, as mudanças que a República requer”. Idem
-
“Então, como foi? O Sarney tomou posse? Correu tudo bem?” Dia 15 de março
de 1985, ao sair da anestesia da primeira cirurgia
-
“Rezem por mim”. Antes de ser anestesiado para a segunda cirurgia
-
“Preciso não, eu devo sarar”. Aos médicos, recuperando-se da segunda
cirurgia
-
“Mas, doutor, eu estava tão bem ontem, tirei até fotos, e agora estou aqui?”
Ao chegar ao Instituto do Coração, em São Paulo, para novos exames
-
“Não pode ser depois? Estou tão cansado”. Ao ser informado de que seria
submetido à terceira operação
-
“Nós vamos vencer mais essa”. À dona Risoleta, antes da terceira
operação
-
“Se é necessário, vamos lá. Vamos acabar logo com isso”. Aos médicos,
quando foi avisado da quarta cirurgia
-
“Eu não merecia isso”. Ao neto Aécio, indo para a sexta operação
|
|