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22 de abril de 1500
O Descobrimento
Depois de 44 dias de viagem, a frota de
Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra - mais com
alívio e prazer do que com surpresa ou espanto.
Depois do sucesso da odisséia de Cristóvão Colombo o rei D. Manuel I depressa se aprontou em mandar aparelhar uma nova frota para a 'Índia', desta feita
bastante maior que aquela usada por Gama. A nova frota era composta por treze navios e mais de mil homens. Pela primeira vez liderava uma frota um fidalgo, Pedro Álvares Cabral, filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte.
Sabe-se que a armada levava mantimentos para dezoito meses. Pouco antes da partida, mandou el-Rei rezar uma missa, no Mosteiro de Belém, presidida pelo bispo de Ceuta, D. Diogo de Ortiz, onde
benzeu uma bandeira com as armas do Reino e a entregou em mãos a D. Pedro Álvares Cabral, despedindo-se pessoalmente o rei do fidalgo e dos restantes capitães.
Vasco da Gama teria tecido considerações e recomendações para a longa viagem que se chegava: a coordenação entre os navios era crucial para não se perderem uns dos outros, pelo que
recomendou ao capitão-mor disparar os canhões duas vezes e esperar pela mesma resposta de todos os outros navios antes de mudar o curso ou velocidade (método de contagem ainda hoje utilizado em campo de batalha terrestre), entre outros códigos de comunicação semelhantes.
A viagem
Zarpava a grande frota de 13 navios do Restelo a 9 de Março de 1500, com o objetivo formal de concluir relações comerciais com os portos índicos de Calicute, Cananor e
Sofala, iniciadas na viagem de Vasco da Gama. Pelo dia 14 do mesmo mês já se encontravam nas Canárias e no dia 22 chegavam a Cabo Verde. No dia seguinte desaparecia misteriosamente o navio de Vasco de Ataíde.
No dia 22 de Abril , acidente de percurso ou missão secreta de legitimação de posse, avistava-se «terra chã, com grandes arvoredos: ao monte». Ao grande
monte, Pedro Álvares Cabral batizou de Monte Pascoal e à terra deu o nome de Ilha da Vera Cruz — pensando ser uma ilha -, depois que descobriram ser um continente denominaram-na de Terra de Santa Cruz — hoje denominado Porto Seguro, no estado da Bahia. Aproveitando os alísios, a esquadra bordeja a
costa baiana em direção ao norte, à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr-do-sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser denominado baía Cabrália. Ali permaneceram até 2 de maio, quando rumaram para a Índia, cumprindo seu objetivo formal de viagem e deixando dois degredados e
dois grumetes que desertaram. Estava iniciada a ocupação do Brasil por europeus.
A chegada a Vera Cruz
No dia 24 de Abril Cabral recebe os nativos no seu navio. Aí, acompanhado de Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e Pêro Vaz de Caminha,
recebia o grupo de índios que reconheceram de imediata o ouro e prata que se fazia surgir no navio — nomeadamente um fio de ouro de D. Pedro e um castiçal de prata — indicando aos portugueses que ali havia destes metais.
O encontro entre portugueses e índios está muito bem documentado na famosa carta escrita por Pero Vaz de Caminha, escrivão a bordo. O choque cultural foi evidente. Os
indígenas não reconheciam os animais que traziam os navegadores, à exceção de um papagaio que o capitão trazia consigo; ofereceram-lhes comida e vinho que os índios rejeitaram. O fascínio tocava-lhes pelos objetos não reconhecidos - como umas contas de rosário, e a surpresa dos portugueses pelos
objetos reconhecidos - os metais preciosos.
Os indígenas começaram a tomar conhecimento da fé dos portugueses ao
assistirem a Primeira Missa, rezada por Frei Henrique de Coimbra, em um domingo, 26 de abril de 1500. A cruz foi plantada no solo do novo domínio português, que recebera o nome de Ilha de Vera Cruz. Logo depois de realizada a missa, a frota de Cabral rumou para a Índia, seu objetivo final, mas enviou um
dos navios de volta a Portugal com a carta de Pero Vaz de Caminha.
Os povos nativos
Quando do “achamento” do Brasil pelos portugueses, o litoral baiano estava ocupado por duas nações indígenas do grupo lingüístico tupi: os Tupinambás, que
ocupavam a faixa compreendida entre Camamu e a foz do Rio S. Francisco, e os Tupiniquins, que se estendiam de Camamu até o limite com o atual Estado do Espírito Santo. Mais para o interior, ocupando faixa paralela àquela apropriada pelos Tupiniquins, estavam os Aimorés. Tais grupos dominavam aqueles
territórios havia apenas dois séculos e, provavelmente, provinham do Alto Xingu, na Amazônia.
Polemica
No ano 2000 comemoraram-se os 500 anos do Descobrimento do Brasil, o que provocou muita polemica em redor da data. Para muitos, a comemoração implicaria que a história
do Brasil completou quinhentos anos no ano 2000, uma perspectiva claramente eurocêntrica, pois parte do princípio de que apenas com a chegada da esquadra de Cabral teve início o processo histórico nas terras que hoje formam o Brasil. Quem defende isto afirma-o porque ser de opinião que, por exemplo,
Portugal tem (aproximadamente) 900 anos uma vez que o Reino de Portugal só se formou em 1143.
Isso é particularmente relevante do ponto de vista indígena, uma vez que os primeiros habitantes do território sofreram com a escravidão e mesmo as guerras de extermínios
levadas a cabo pelos recém-chegados, o que, junto com as doenças e processos de aculturação, levou ao desaparecimento de grande parte das tribos indígenas originais.
Outro fator polemico é a descoberta de que alguns portugueses foram enviados ao Brasil em missões secretas antes mesmo da descoberta oficial, como, por exemplo, Duarte
Pacheco Pereira.
Há ainda o fato de ser muito difícil se estabelecer um momento em que surgiu o termo e a idéia de Brasil, uma vez que é uma idéia que aos poucos foi se construindo no
imaginário português e europeu desde o século XIV.
Outros consideram que as comemorações, tanto oficiais como não oficiais, serviram como um bom pretexto para a reflexão sobre toda a história brasileira, uma vez que a
Descoberta do Brasil é certamente um dos momentos-chave da História do Brasil.
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